Dez razões para não votar Cavaco


Pedro Correia,

 

8. Convicções: zero

 

Um Presidente da República é eleito também em nome de convicções. Foi em nome de valores conservadores moderados, contra engenharias sociais e rupturas em questões de costumes, que Cavaco Silva se apresentou aos eleitores em Janeiro de 2006. Ninguém que nele então votou o imaginaria a promulgar quase sem reservas de fundo a lei que institui o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Muito mais incompreensível foi o motivo invocado para esta atitude: a crise económica, alegou Cavaco, força os portugueses a concentrar as energias no seu combate e não a desperdiçá-las noutras questões. Grau zero de argumentação política, grau zero de coerência, grau zero de respeito pelo seu eleitorado. O “pragmático” Cavaco no seu pior.

21 comentários em “Dez razões para não votar Cavaco”

  1. Claro que, se o homem (um reaccionário…) tivesse vetado a lei, aí encontraria V. outra “razão” para não votar nele…
    Coisa tão pífia!

        1. Ele não anunciou, mas vai anunciar. O porta-voz informal de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa, antecipou data, local e até hora no seu programa de comentário na TVI. Ao vivo e a cores. Foi um momento inolvidável, como se escrevia antigamente.

        1. Só faltam sete, Carlos. Mas não sei se os portugueses apreciam esta “estabilidade” que nos condena à recessão, ao desemprego e à pobreza. Nem um Presidente que se gaba de nunca ter vetado um diploma do Governo em cinco anos.

  2. Embora seja-me indiferente a aprovação ou não do casamento entre pessoas do mesmo sexo, pois nada tenho a opor e até sou solteiro por opção, a verdade é que Cavaco não é uma pessoa de convicções e nisso parece um pãozinho sem sal pelo que não desperta emoções… nisto rendo-me.

    1. Isso é que é ter fé. O Presidente ainda não anunciou formalmente a recandidatura e já encontra aqui alguém que lhe vaticina a vitória à primeira volta. Recordo que não faltou quem vaticinasse o mesmo nas presidenciais do Brasil: alguns «analistas» portugueses admitiam mesmo uma vitória de Dilma Rousseff com cerca de 60% logo no primeiro escrutínio, sem necessidade de haver segundo. A realidade, como se viu, foi bem diferente.

  3. Penitenciando-me desde já por fazer o que disse que não faria (dar “Cavaco” a esta “lista”), não posso deixar de ficar incomodado com os argumentos.
    Em primeiro lugar, em que material da campanha «Por um Portugal Maior» está escrito «Foi em nome de valores conservadores moderados, contra engenharias sociais e rupturas em questões de costumes, que Cavaco Silva se apresentou aos eleitores em Janeiro de 2006»? Eu, por exemplo, como muitos outros portugueses, votámos em Cavaco APESAR destas mesmas características.
    Em segundo lugar, como é possível dizer-se, sem um sorriso socratiano na face, que Cavaco não fez de tudo para evitar a promulgação deste diploma? Acho que até seria um insulto á memória de todos nós enunciar o conjunto de comunicados e observações que CS foi fazendo ao longo do tempo em defesa de valores precisamente contrários aos inerentes ao diploma em causa.
    Ou seja, desta linha de argumentação, concluirei que para o senhor Correia, sempre que um Presidente da República discordar do conteudo de um diploma emanado da Assembleia, não o deverá promulgar… Por uma questão de honestidade moral…

    1. Dou-lhe os meus parabéns. Sempre esperei, ao lançar esta série, encontrar aqui a reacção de alguns cavaquistas ferrenhos. Encontrei-o a si. Tão ferrenho que até consegue vislumbrar “sorrisos socratianos” em quem critica Cavaco Silva por nunca ter vetado um só diploma do Governo em cinco anos de mandato. Renovo os meus parabéns pela sua astúcia: descobriu-me o disfarce.

      1. Caro Pedro,
        Há algum motivo para não “postar” os meus ultimos comentários? Não me consta que tenha sido incorrecto fosse com quem fosse, ou fui?

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