7. O ralhete de Klaus
Do Presidente da República espera-se particular atenção à defesa da imagem pública do País no decurso das suas frequentes deslocações oficiais ao estrangeiro. Lamentavelmente, isso não suecedeu na viagem que Cavaco Slva fez a Praga, em Abril deste ano, na qual assistiu impávido a duas intervenções destemperadas do homólogo checo, Václav Klaus, pondo em causa o rigor e a competência das autoridades portuguesas na difícil missão de enfrentar a crise económica. O problema, neste caso, não era saber se Klaus tinha razão: o Presidente da República Portuguesa não pode ouvir em silêncio estas desconsiderações e estes enxovalhos, comportando-se como se nada fosse. Ou, pelo menos, não deve. Cavaco comportou-se assim. Ficou muito mal na fotografia. Quase tão mal como o seu colega checo.


Eu também acho que, na altura, Portugal devia ter declarado guerra à República Checa.
Vai-se a ver e, até agora, não houve “razões”, mas sezões… Bom proveito!
Pois eu acho que naquele preciso momento o PR português devia ter posto fim à visita oficial à República Checa. Praga não é o Pulo do Lobo…
Isto digo eu, que não sou de levar desaforo para casa.
Cavaco Silva é um Presidente “low profile” do ponto de vista formal, mas é aquele que mais convem ao país no actual ciclo eleitoral.
Recordo-me, aliás, de uma visita que ele fez a Espanha, em que a família real escolheu esse preciso momento para anunciar o nascimento do segundo filho do principe herdeiro. É claro que a sua presença ficou de imediato relegada para segundo plano… Mas, em Angola, conseguiu um feito prodigioso: o de sensibilizar os angolanos a liquidar as suas dívidas aos empresários portugueses, independentemente do facto de estes não estarem autorizados a transferir as verbas para as suas contas bancárias em Portugal!
Era o que mais faltava se, numa das enésimas visitas feitas a Luanda, o actual PR não tivesse falado às autoridades angolanas sobre as escandalosas dívidas aos empresários portugueses. Já que fala de Angola, Fernanda, isso quase me daria um 11º motivo para não votar Cavaco…
Desculpe lá, mas Cavaco Silva ser o que mais convém ao País é um bocado pretensioso.
O país somos nós todos e ninguém pode ficar contente com um presidente que ” não se sente ” quando dizem mal dos seus.
Como diz o ditado popular: “quem não se sente não é filho de boa gente”.
Tenha lá paciência se gosta muito do senhor professor “boca de favas “, mas não me interessa nada ter como presidente alguém com quem a família Real desabafa, interessa-me mais um presidente que olhe pelos desígnios dos portugueses.
E quanto aos pagamentos de Angola, precisaria de informar-se melhor porque não é isso que está a acontecer…á conta disso até têm rolado “cabeças “….
Não me ofende chamar-me de pretensiosa, uma vez que a minha opinião está conforme à opinião de milhares de portugueses que pensam que CS é o melhor candidato à presidência da República que se nos oferece, perante a actual situação económico-financeira do país – fundamental a cooperação estratégica – e tendo em atenção o painel de candidatos – sem substância – que com ele concorrem.
“Quanto aos pagamentos de Angola”, permiti-me utilizar de uma certa ironia…
Como eu detesto o politicamente correcto por hipocrisia política ou diplomática, foi óptimo ouvir Václav Klaus, Cavaco não tinha de mentir para defender a honra indefensável da realidade deste país, nem teve culpa de ouvir a verdade nua e crua que Portugal através da opinião política e comentadores tem omitido aos portugueses e que conduziu à situação em que estamos, pena eu também detestar os checos… pois têm mesmo falta de chá e eu já lá vi isso ao vivo.
Carlos Faria: você fala do que sabe sobre a arrogância checa. E sabe mais que eu, naturalmente.
Eu, se fosse checo, talvez tivesse achado gracinha à tirada de Klaus. Mas, como sou português, não achei graça nenhuma à atitude titubeante do homólogo português de Klaus. Basta-me uma vez: não quero outra humilhação deste género. Já basta o que basta aquém-fronteiras.
Também me senti muito envergonhado por ver Cavaco a engolir o desaforo. Seria bom que os nossos lideres os tivessem no sítio, já que quanto a visão de futuro e acerto nas decisões tenho as minhas dúvidas. Ir a casa alheia fazer nunca soube o quê, ser enxovalhado, reagir com o seu sorriso seráfico e continuar a visita como se nada tivesse sido é atitude de manso. Herdará os céus, mas não terá o meu respeito. Na altura, lembrei.me de Eanes, na primeira campanha eleitoral, quando o alvejaram a tiro e ele subiu para o tejadilho do carro: “É preciso mostrar que não temos medo!” Ou Soares, que, diga-se o que dele se disser, nunca virou a cara à luta. É de homens assim que precisamos; infelizmente, nenhum dos candidatos parece dotado da grandeza dos homens de antanho…
Eanes em Évora, nessa primeira campanha presidencial do actual regime. Soares na Marinha Grande, dez anos depois. Cavaco em Praga, em 2010. Que diferença abissal. Levar desaforo para casa parece ser sina deste presidente, na política doméstica e na política internacional.
Nem mais Pedro, Homens a sério…
Aqui sim, o PR meteu o pé até ao pescoço, na poça!!!!
Concedo-lhe a atenuante da boa educação, se respondesse “á letra” não sei se ficaria melhor na fotografia.
Pois. Engoliu em seco e trouxe desaforo para casa. Se Klaus fosse primeiro-ministro dele certamente Cavaco também não vetaria nenhum diploma do Governo e ainda se gabaria disso, como fez com José Sócrates.
O pior de Cavaco é ter metido na cabeça que não pode dizer nada – nada que vá ferir uma susceptibilidade qualquer em qualquer lado. Onde está escrito que um PR tem que ser um tijolo sem espírito? Porque não protesta, por exemplo, contra um Acordo Ortográfico que avilta a língua portuguesa? Porque não dá um murro na mesa sobre o despesismo público? Acho que ninguém levaria a mal se tivéssemos um PR mais… humano.
Quanto ao acordo hortográfico, acho que o Presidente nem protestaria se o obrigassem a escrever o seu próprio nome como Kavako Cilva.
Nessa viagem, Cavaco teve outras preocupações: o Santo António…
É disso que estamos a precisar: do Santo António.