5. As ‘escutas’
É inaceitável que o Presidente da República dê cobertura, nem que seja pelo silêncio, às delirantes teses conspirativas – dignas do defunto folhetim radiofónico ‘Patilhas e Ventoinha’ – que no ano passado estiveram na origem de duas manchetes do matutino Público. Infelizmente assim aconteceu, com a agravante de o País estar então já envolvido na pré-campanha das legislativas de 2009. Só a revelação, pelo DN, de que a suposta fonte daquelas notíciass sobre hipotéticas escutas do Governo ao Palácio de Belém fora o mais destacado assessor da Presidência obrigou Cavaco a dar uma satisfação aos portugueses. Fazendo de conta que afastava o referido assessor enquanto o mantinha na sua entourage.
Um caso feito de múltiplas duplicidades que em nada enobreceu o Presidente da República.


Lastimável. Tanto mais que V. tem obrigação de conhecer o dito assessor, que é um homem digno.
E sobre o comportamento do jornal que dedicou uma capa inteira a correspondência trocada entre dois jornalistas de outro diário (a qual lhe foi fornecida por quem se sabe, com o objectivo que se conhece) V. não tem nada a dizer?
Esta série está a ser catastrófica para a sua reputação. Depois não se queixe…
Cheira-me a ameaça. Vou já comprar um cão. Conhece algum?
Ameaça? Isso é que é argumentar, caramba!
Obrigado pelo inesperado e imerecido elogio.
Sado-masoquista, é? Quem diria…
Olhe que não. Masoquistas são os raros que ainda conseguem tecer elogios ao orçamento de estado.
O que não é o meu caso. Nem o seu, faço-lhe essa justiça.
Sem dúvida. Em alguma coisa haveríamos de estar de acordo.
Não sei quantas razões irá o Pedro escrever. Mas terá de acrescentar mais uma: trata-se de um presidente das Ordens Honoríficas que rejeita uma pensão vitalícia [equivalente ao salário mínimo conforme o legislado para todos os condecorados em dificuldades extremas] a um cidadão condecorado, com 62 anos de idade, desempregado sem qualquer subsídio, sem casa própria, sem rendimentos e com o conjuge diagnosticado com Alzheimer.
De um presidente que se gaba de nunca ter vetado um diploma emanado do pior governo de que há memória é de esperar tudo.