4. A palavra desperdiçada
Do Presidente da República espera-se, entre outros atributos, que dê especial ênfase àquilo a que alguns politólogos chamam a “pedagogia da palavra”. Neste domínio, a frieza dos factos indica-nos que Cavaco Silva pecou por défice. Falou pouco e nem sempre falou bem.
Um exemplo já clássico ocorreu a 31 de Julho de 2008, quando a Presidência da República deixou o País em suspenso, durante um dia inteiro, ao transmitir para a manchete de um jornal que Cavaco faria uma mensagem aos portugueses, nessa noite, por um motivo grave. Às 20 horas, a montanha pariu um rato. De que se tratava? O Estatuto Orgânico dos Açores punha em causa a alteração de um mecanismo formal de consultas do Presidente da República relativamente aos órgãos próprios da região autónoma.
Os portugueses não entenderam os motivos de tanta gravidade, sobretudo porque Cavaco sempre recusou o mesmo procedimento para aludir à grave crise económica e financeira em que mergulhou o País, com o seu lamentável cortejo de dois milhões de pobres e mais de 600 mil desempregados. Outra oportunidade desperdiçada para o efeito ocorreu na sessão solene comemorativa do 25 de Abril, este ano, em que a crise foi ignorada em detrimento de bonitos mas irrelevantes parágrafos do discurso presidencial a enaltecer a relação de Portugal com o mar.
Das quatro comunicações especiais que o Presidente fez ao País, neste mandato, duas foram sobre o estatuto açoriano, o que acentua a desproporção do tema e confirma que Cavaco concede mais atenção às questões formais do que às questões substanciais.


Caro Pedro,
Lamentavelmente, tenho verificado que os seus argumentos seguem sempre na senda do que é o mainstream da nossa imprensa, apesar de nem sempre corresponder à realidade…
Pergunto-lhe: sabe o que é que o Tribunal Constitucional “disse” acerca das referidas “preocupações do PR? E sabe o que é que daí resultou?
Pergunto-lhe: O que estaríamos nós (o senhor, mais propriamente) a dizer hoje caso Cavaco Silva “ligasse” mais a questões do foro mediático do que as singelas questões formais constitucionais? É verdade que na maioria destes comunicados não há uma “história” para contar ou os lados atendíveis a ouvir…
Pergunto-lhe: não lhe parece que essa dita comunicação foi, há falta de melhor termos, uma verdadeira “chazada” no legislador, em particular na Assembleia da República? Não esquecendo que o fez, por mais do que uma vez, e sempre com total propriedade.
Pergunto-lhe: de todas as comunicações do PR ao longo destes 5 anos, só registou essas? Não acha que a sua memória está um tanto ou quanto, digamos, selectiva? Assim, de repente, recordo-me da expressão “situação insustentável” quando tudo eram facilidades para os lados do Largo do Rato/São Bento, e poderia continuar… mas senhor sabe, tão bem quanto eu, que vários foram os avisos ao longo dos anos…
Calculo que o nº 5 será o famoso “Caso das Escutas” (talvez o deixe para o fim, dado que é o episódio com mais contornos tipicamente jornalísticos…)
Caro Pedro,
Desconheço o significado da expressão “o mainstream da nossa imprensa”. A partir daí, torna-se difícil descodificar o seu reparo.
Cumprimentos
À 4ª é de vez… Digo-lhe com toda sinceridade que estava com uma expectativa bem diferente em relação a este top10… Pensei que o Pedro estivesse a criar um espaço de debate de argumentos minimamente construtivo, despreconceituoso e intelectualmente honesto… mas, com bastante pena, vejo que se interessa mais em lançar clichés e a desconversar do que a “debater”… e é precisamente isto o mainstream da nossa imprensa… um bem haja… lá vou eu, já de viola no saco “cantar” para outra freguesia porque esta já não dá esmola…
Lamento tê-lo decepcionado. A vida é mesmo assim: enche-nos de decepções.
… I rest my case…
Posso concluir que, a contrario, são as mesmas 10 razões para votar em Alegre?
O presidente em funções chama-se Cavaco Silva, não Manuel Alegre. E o primeiro-ministro chama-se José Sócrates, não Passos Coelho.
Já o “dr.” Alegre, de cada vez que fala, é só odes à Pátria…
…Ainda ontem, em plena crise orçamental, embeveceu-me humana e singela preocupação demonstrada com crianças, bandeiras, inaugurações e bastiões…
Seguros e orgulhosos sentimo-nos-emos todos com tal nobre e alegre Presidente nos jardins de Belém…
Como tenho acompanhado a série “Dez razões”,
sugiro que os outros candidatos venham a ser objecto de tratamento eleitoral.
Pró ou Contra, ou mesmo Nim.
Cpts
Logo se vê. Para já, estou nesta.