A foto, em si, causou uma risota e uma polémica que me passou um pouco ao lado. Mas um dia espero perceber por que motivo um “museu interactivo e parque temático” dedicado aos Descobrimentos Portugueses recebeu o mui português nome de “World of Discoveries”.
Deve ser o marketing, estúpido
eventhorizon,

Ora aí está uma pergunta a que eu também gostava de ter a resposta…
É daquelas coisas que faz muito sentido, não é?
Não sabia disso, João. Só me apetece comentar no mesmo idioma: “Holy shit”
Mesmo. Que patetice.
É pela mesma razão que em pleno Terreiro do Paço existe, do Costa, o Lisboa Story Centre.
Se a coisa foi imaginada pelo Costa, então ’tá tudo explicado. E com um “Lisboa Story Centre” (vá lá não ser “Lisbon”) nas margens do Tejo e um “World of Discoveries” nas margens do Douro, ficamos com a certeza absoluta – se ainda houvesse dúvidas – de que o provincianismo nacional está bem distribuído pelo território.
http://www.lisboastorycentre.pt/
Heh. Está tudo doido, é o que é.
http://www.restaurantweek.pt/
Caro João Campos,
Se tirar a vírgula ao título do seu post, tem a resposta! 😉
É o mais certo, sim!
Um parque para português ver, não é nem chamativo nem rentável a médio prazo. Há seguramente uma app para fazer esse tipo de cálculos, e os imageneers das imagens de marca fizeram o resto.
Nem compreendo o espanto, há vários anos que, ridiculamente , quase se fala só inglês no Algarve, porque é que no Norte teria de ser diferente, carago ?!?!
Porque é que o Badoca Safari Park não se chama Parque de Expedições Selvagens do Badoca… E o Zoomarine ?
Há uma diferença que me parece evidente: o tema.
Que um parque como o Badoca, o propósito de simular um safari – algo que não se faz tradicionalmente por cá – e a mostrar vida selvagem que não é autóctone tenha um nome estrangeiro, enfim, é algo ridículo, mas não entra em contradições de maior. Idem para o Zoomarine, que não proporcionando safaris também tem muita fauna de outras paragens, e não me refiro apenas aos visitantes. Mas os Descobrimentos são algo diferente: são o período dourado da nossa História, a época de glória de Portugal enquanto nação soberana, independente e com poder global. São uma fonte de orgulho patriótico, se quisermos ir por aí. Dar a um museu/parque sobre essa época um nome estrangeiro torna-se mais ridículo porque contradiz em toda a linha os símbolos que evoca.
Quanto a isso de no Algarve quase só se falar inglês… é mais mito que outra coisa (até porque o Algarve é muito mais do que a linha de costa entre Lagos e Faro. Mas isto é opinião de um alentejano que não frequenta a zona “chique” do Algarve).
Viva João
Eu não tentei desculpar a coisa, porque como tantas enormidades que por cá há, a acho descabida e penso mesmo que o português como língua foi completamente vendido a custo zero aos estrangeirismos e ao acordo ortográfico.
Não me espanta nada que vendamos também a temática do período áureo nacional com nome de atracção turística ao melhor estilo de Hollywood.
Quanto ao Algarve que frequento desde que me lembro, o mito urbano tornou-se real em muitos locais menos “chiques”, kms acima da linha de costa.
Boa semana !
Infelizmente, a Dulce tem razão quando diz que o português como língua foi vendido a custo zero. Uma liquidação completa. Por isso, sim, não espanta que tenhamos um “World of Discoveries” e não um “Mundo dos Descobrimentos”, ou algo do género. Mas continua a ser triste, incoerente e absolutamente imbecil da parte nos nossos “empreendedores”.
(e olhe que eu nada tenho contra os estrangeirismos, desde que utilizados de forma adequada).
Quanto a isso do Algarve, bom, nunca tive a experiência, seja em Monchique ou em Tavira. Mas acredito no que me diz.
Boa semana, e obrigado pela conversa!
Assim, chique, chiquérrimo,
é escrever “centre”, à inglesa, mas depois escrever “interativo”, à brasileira.
Sei lá, é todo um vómito concentrado em poucas palavras.