Deus ex Google


Maria Dulce Fernandes,

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As pessoas são chatas e convencidas. Nasceram assim ou fizeram-se deste modo, nesta sociedade do audiovisual e das redes sociais?
Em mais uma das minhas fases anuais de morcego, descobri um novo tipo de animal humano, que prima pela omnisciência que adquire tipo mousse Alsa: basta juntar água.

Refiro-me ao Homogooglens, o tudólogo do Google.

O nível de conhecimento que o Google confere a estas pessoas, que proliferam como mosquitos ao redor da luz que emana da partícula de Deus que carregam permanentemente consigo como se do fogo primordial se tratasse, é excepcional, elevadíssimo e sempre correcto.

Como pode um comum mortal de provecta idade competir com um homogooglens de brilhante telefone na mão, a debitar impropérios acerca da incompetência das pessoas que não cumprem o que está escarrapachado no Google com todas as letras, mapas e imagens?

Isto merece uma crítica negativa no Facebook, no Instagram ou no Twitter.

Tal inépcia mimoseia-nos com entrada directa para a candidatura a desqualificado de primeiro grau, pela incapacidade de ler e fazer cumprir o que diz o Google ali, logo na primeira página, após uma pesquisa que devolve mais de cinco mil entradas.

Tentar explicar ao homogooglens que em Montain View os Senhores não gerem as páginas particulares de cada um, limitam-se a ser um motor de busca no geral, por sinal bastante competente, mas cujas actualizações deixam bastante a desejar, não é tarefa fácil, é tarefa impossível. É que está ali, ALI, na sua mão, vê? Vejo, mas está errado. Provecta, estúpida e iletrada, que nem ler sabe…

Imprimo um printscreen da página oficial e mostro-o ao homogooglens… papel e tinta para deitar para o lixo, claro… isso é de onde? Não está no Google! Está, se procurar e não se ficar pela fachada…

Já experimentou googlar o seu nome? Então faça-o e veja quantos são e qual deles é o Senhor.

Deixo-os no vício, entretidos a descobrir-se na internet e ao êxtase que lhes proporciona o imenso saber que lhes oferece.
Está quase na hora de sair para o escuro e tentar encontrar no silêncio da noite a absolvição para os meus pecados, que devem ser muitos e copiosos, porque ninguém merece tão insensata expiação.

34 comentários em “Deus ex Google”

  1. Olá, Maria.
    Importa em seu texto repescar a história e procurar avançar ainda mais.

    O homogooglens que refere insere-se no contexto dos denominados positivistas que há muito a dita ciência fabricou. Isto é, o objectivismo sempre procurou encontrar respostas definitivas renegando a subjectividade do fenómeno.
    Fico por aqui, pois não vá alguém impressionar-se com tanta sabedoria.

      1. Nem a Dulce nem o Vorph entenderam o que escrevi. O Vorph, porque forma-se diariamente no Google, tem preguiça em pensar; e a Dulce porque necessita mudar o seu “mind set”.

        Mas, sem qualquer ofensa no que escrevo, ambos têm uma coisa em comum: confundem movimento com progresso.

          1. O termo não é aplicado no sentido progressista, mas avançar. Sabe, Maria, existe uma diferença em “fall back” e “fall forward”.

            Traduzo: as quedas que se dão para trás não ensinam nada. Nas quedas para a frente toda a gente sabe no que bateu.
            Concluindo, a mesma diferença existe entre reviver e rever o passado. Quem revive o passado vive no presente a situação. Quem revê o passado supera-o e vê-o com a perspectiva de futuro.

            Uma vez mais, sem ofensa, o Vorph e a Maria têm isto em comum. É preciso mais progresso e menos movimento. Quem muito se mexe não vai a lado nenhum: o objectivo é o futuro que se torna presente.

          2. Garantidamente o Vento não me conhece o suficiente para formular esse juizo.
            Acho até engraçado que pense em mim como uma pessoa que se mexe mas não avança, caramba !

          3. O riso é uma expressão da inteligência, quando o humor está em causa. Mas também de algum embaraço. A proposta não foi para embaraço.

            Há um avanço ou uma estagnação interior que não necessita ser demonstrada “face to face”, basta escrever.

            Concluindo o primeiro comentário feito: Só entrando na nossa subjectividade é possível permanecer na do outro. A linguagem psicológica para esta realidade leva por nome empatia.

          4. Quando saio para ir trabalhar, por exemplo, tento deixar a subjectividade em casa, Vento.
            A minha subjectividade iria seguramente entrar em colisão frontal com o meu sentido de justiça e isso para mim é inaceitável.
            Eu sou, porque penso, mas 90% do quese passa comigo, não é sobre mim, por isso tenho que pensar mais abrangentementel

          5. Continua a confundir. Jamais descobrirá o que é a justiça se não entrar nos mecanismos da subjectividade.
            A subjectividade não é em circunstância alguma falta de objectividade, é o sentido mais apurado desta outra. Assim, compreenderá melhor o que é a justiça quando perceber que a roupagem que o outro veste é exactamente a mesma que cada um deve desembaraçar-se.

            Os mecanismos desta justiça consiste em pagar o mesmo “salário” quer aos que iniciaram a jornada pela manhã quer o que a começaram a meio da tarde.
            Um dia compreenderá o que escrevi.

          6. Vento, eu entendo o que escreveu e não estou a confundir coisa alguma. Posso não pensar assim, porque por-me no lugar dos outros tentando não perder a objectividade é o meu pão nosso de cada dia. Faz parte da pessoa que sou.
            O mundo seria trágico se toda a gente fosse igual a mim em pensamentos, palavras e obras.

        1. Não escreva disparates. Se quiser conversa a sério, sem tempo para pesquisas, indo das religiões semiticas, até à religião inca, e como uma e outra são reflexos do meio, passando pela Evolução de Deus, associada às mudanças políticas da Judeia e Israel, abordando a fusão entre El e Javé, os deuses do norte e sul, como origem do Deus, Pai, combina-se uma jantarada. Se quiser falar no formalismo, na vacuidade em que se transformou o Cristianismo, formalismo contra o qual jesus se pronunciou variadíssimas vezes, se quiser falar sobre a liberdade subjacente à religião nórdica, em contraponto à sujeição abjecta promovida pelo judaísmo – cristianismo, passando pelo estoicismo de Marco Aurélio e Séneca estou à sua mercê. Não me venha é com essa presunção de gaita. A menos que seja faixa preta de jiu jitsu, ou tenha 1,85 e 90kg.

          1. Meu caro Vorph, sobre a matéria que propõe nos parágrafos iniciais deste seu comentário, nem vale a pena ir por aí porque já nos revelou tudo ao longo das deambulações que por aqui fez com diversos cognomes. Como seus parâmetros são fechados em função das realidades, pois são várias, que o circundam interna e externamente, aceitar um debate mano a mano seria não somente proporcionar-lhe a oportunidade para revelar que é isso mesmo que pensa de si, e que acredita ser, como também deixar que me transforme num prosélito.
            Como esses caminhos são seus, eu não os percorrerei.

            Sobre o jiu jitsu, este já se torna mais apelativo. Penso ser uma modalidade mais produtiva.

  2. Não intervim na altura acerca de uns comentários seus sobre a empresa onde trabalha e de alguém que entrava ás 8h e ás 8h05m mandava uma sms a dizer que estava doente, decerto recorda-se !’?
    Só para dizer que na empresa onde trabalho não existem 600 postos de trabalho e no entanto no espaço de 30 meses essa empresa fez quase 500 novos contratos (e todos a novos operadores)…excluindo as contratações realizadas através de empresas de trabalho temporário.
    Pode parecer-lhe fora de tópico mas felizmente hoje a informação está cada vez mais disponível, resta saber se a conseguimos interpretar e destrinçar o que é relevante do acessório aliás como desde sempre.
    O seu texto revela que não convive bem com quem sabe tanto ou mais que você, apesar de ter menos habilitações, no fundo você pensa que só os “escolhidos” devem ter direito á informação ainda que a mesma possa ser errada, faz lembrar alguém que defenderia com unhas e dentes que o Sol gira á volta da Terra só porque alguém o escreveu como verdade absoluta.
    O Google é uma empresa privada que vive de lucros, se isso a incomoda, tente mudar o capitalismo que deixou há muito (pelo menos 10 anos) de ser capitalismo para passar a ser financismo.

    WW

    1. Realmente WW, misturar alhos com bugalhos não me parece modo de fazer valer qualquer ponto de vista.
      Eu convivo muito bem com as minhas limitações, mas não reconheço o Google como ” alguém que sabe tanto ou mais do que eu”, apenas como um motor de busca que está longe de ser fonte exacta do conhecimento universal. Pelo menos para pessoas minimamente esclarecidas.

      1. Dulce, respondendo indirectamente ao texto:

        Para saber há que vivê-lo. E isso é coisa que não se aprende, defronte de um ecrã ou de umas páginas numeradas. Experimenta-se. Viajar, ver, falar, com os outros, são as mais seguras formas de conhecer.

        Uma coisa é saber, lendo, o significado de uma floresta. Outra bem diferente é conhecê-la entrando nela adentro. Saber é sentir.

  3. Cara Maria Dulce,

    Pois é, ensinar sem exemplificar é a mesma coisa que falar para o boneco. E os exemplos, por mais reais e factuais que sejam, se não existirem no Google constituiu um problema insanável para quem ainda dispõe de alguma sanidade mental e consegue ouvir o silêncio no escuro.
    Daí que a sua frase;
    “Já experimentou googlar o seu nome? Então faça-o e veja quantos são e qual deles é o Senhor.”
    seja tão perfeita que tenho medo que gere nos Homogooglens, uma vontade irresístivel de exigir que o Estado o registe no Google em vez de lhe exigir que um cartão de cidadão.

    1. Nada disso. Está a falar-se de alguém bem mais inteligente, o comum dos mortais.

      PS.: Contudo , penso que está cientificamente comprovado que o homogoogles usa também o Tweeter, etc, aplicando a fórmula infalível se-usas-o-google-usas-o-tweeter-e-o-face-e-o-insta

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