Esta semana, morreu um jovem que chegara há pouco tempo à maioridade. Estava doente com cancro há já uns tempos. A última vez que nos cruzámos, no fim do verão, ia petiscar com os pais e com uma amiga. Tinha um sorriso pequeno, o corpo esguio, a careca assumida, não se escusava a um abraço. Eu quis acreditar que estaria melhor. Não perguntei nada. Por pudor, por medo, por egoísmo.
Umas semanas antes deste encontro, a minha avó, a propósito desta doença e deste jovem em particular, dissera: Se Deus quiser irá melhorar. E eu, muito armada em qualquer coisa que agora não sei como definir, repliquei com rapidez que o melhor seria tirar Deus da equação. Deus não pode servir para essas coisas, para pedirmos, caso contrário estamos mesmo tramados, Deus é surdo.
A minha avó, mulher sábia e católica convicta, riu-se devagar e disse-me que nunca pensara na questão dessa forma, pois fora educada assim e não é agora tempo de mudar essa parte da sua pessoa.
Eu acatei, não por dever, mas por entender que estava cheia de razão, a sua razão que, para o caso, era o que importava. Eu não fui educada com Deus à cabeceira, nem figuras de anjo, o primeiro terço que tive foi comprado por mim, fui muitas vezes a caminho da igreja de Santa Isabel para discutir Deus e outras coisas com José Manuel Pereira de Almeida, prior de Santa Isabel e um amigo.
Até me inscrevi no mestrado de Ciências da Religião e hoje sei mais do que sabia, sei a teoria, a filosofia, a História. Do resto, aquela coisa que se define comummente como fé, sei cada vez menos. Quando surge uma calamidade digo, como todos nós, as expressões onde Deus está enfiado: graças a deus, valha-me deus, deus nos livre e por aí fora. É cultural. Embora também seja identitário.
Este jovem que morreu no início da semana, desistindo de lutar, depois de tanto lutar, talvez não acreditasse em Deus, talvez nem tivesse pensamentos mágicos de que falam os oncologistas em seminários e congressos a propósito dos doentes e da forma como reagem e vivem a realidade hedionda do cancro. Não faço a menor ideia do que pensava sobre Deus ou sobre outras coisas. Sei que gostava dele, só assim: gostava dele.
E, sem saber o que dizer aos pais que perdem um filho desta forma, só me ocorre dizer que estou francamente lixada com Deus. Portanto, a minha avó tem razão, é cultural: voltamo-nos para Deus para pedir, para refilar, para gritar, para chorar. Ele podia dar-se ao trabalho de estar. E assim seria menos solitário.

No dia em que deixei de querer saber o porquê, deus morreu-me. Passei a aceitar, sem crer, o que a vida me deu e me dá. A Vida é assim. Nela não existe nem sim, nem não. Nem bom, nem mal. E o que é belo é essa nossa faculdade, puramente humana, de fazermos deste sem sentido da vida, cem sentidos diferentes . O Homem é esse animal fazedor de sentidos. A angústia surge quando de um qualquer sentido arbitrário julgarmos ter achado a lei. E chegados aí das duas uma. Ou ruborescemo-nos de vergonha, se humildes, ou de cólera, se arrogantes por julgarmos pensar divinamente .
Obrigado por partilhar este texto sobre um tema tão difícil, e partilhar os seus sentimentos. Ler este texto faz-nos pensar no que é realmente importante e prioritário.
Permita-me indicar como Deus está e esteve ao longo desse tempo todo presente, espero que a possa ajudar.
Deus é amor e o amor que partilhamos uns com os outros vem daí, da nossa natureza criada por Deus, assim Deus esteve presente em cada gesto, apoio e dedicação que foi realizado durante a doença e continua a ser realizado agora durante o luto.
Deus criou-nos para a eternidade, a felicidade que intimamente aspiramos é o Céu onde poderemos estar com Deus, na Terra apenas podemos saborear parte dessa felicidade.
Deus não criou o mal e o sofrimento, eles foram colocados no mundo a partir do pecado original, Deus para nos resgatar desse mal e sofrimento enviou-nos Jesus para nos redimir e seguindo-O possamos um dia estar com Deus, como no Seu plano original. Sem este oferecimento de Deus estariamos aqui e na eternidade sempre juntos com o mal e o sofrimento.
Assim, Deus é solução, oferece-nos o caminho que nos ajuda na Terra a suportar o mal e o sofrimento e oferece-nos a recompensa de no Céu saborearmos a felicidade eterna.
E onde vêmos e recebemos a ajuda para este caminho? É na Eucaristia.
Veja que Ele esteve e continua a estar ali, na sua Igreja no Sacrário apenas com uma pequenina e humilde luz acesa. Vá lá, fale-Lhe e partilhe com Ele o lamento que coloca neste texto. Chore com Ele e peça-Lhe a graça da Fé, para que em cada vez que comungue a Hóstia Sagrada se consiga ir transformando em Jesus que carregou a Cruz por nosso amor, para que Deus seja solução para nós e o lugar para onde vamos um dia.
E assim, aprendendo com Ele possamos também nós ser instrumentos de partilha do amor de Deus.
Deus a ajude, espero que consiga sentir na união com Ele o calor e o amor que ajuda nestes momentos de sofrimento e a partir dessa união conseguir ter o olhar na eternidade do Céu.
Esteja à vontade pois Jesus Cristo também disse “Pai, Pai, porque me abandonaste?” numa altura de verdadeiramente grande aflição, demonstrando que mesmo para ele eram insondáveis os desígnios do Deus Pai. É natural que nos sintamos lixados.
A invocação “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste” vem do início do salmo 22 (21) hp/Sl_22
http://www.capuchinhos.org/biblia/index.p
É a oração de aflição e confiança em Deus, que começando num aparente abandono culimina na presença e confiança em Deus.
Vale a pena ler e meditar neste salmo.
Ser capaz de barafustar com Deus faz bem à saúde.
Pior estou eu, que não creio na sua existência.
Acredito mesmo que a Fé é um dom.
Dom com que não fui contemplado.
Infelizmente!
João de Brito
Pois eu prefiro dizer: Se a fé é um dom, felizmente que não fui contemplado com esse dom. É que não gosto de, com o pretexto de sofrer menos, ser enganado.
DEUS? Será que alguma vez existiu? Não acredito. Morando na mesma rua da minha avó, qdo era miúda, posso dizer que passava mais tempo na casa da minha avó que na minha. Como minha avó era mto católica, eu tinha que ir à missa todos os domingos e prq era o dia que havia missa na aldeia onde nasci, mas à noite tinha que rezar o terço, qdo nos rentávamos a mesa pra jantar ou almoçar, tínhamos que rezar antes e dp das refeições. A minha avó fazia umas orações pra nos encomendar a deus pra que nada nos acontece-se, mas a medida que fui crescendo, pensava, mas de que vale a minha avó tanto rezar pra termos a vida de me*da que temos. A nossa vida só melhorou prq a minha mãe decidiu vir pra cidade, contra a vontade da besta do meu pai. Ai sim, a nossa vida deu um salto pra frente, mas a minha mãe trabalhou mto mto mto mesmo, eu ainda na escola os meus irmão tb a trabalhar, e td isto vou dizer graças a deus?NÃO, digo sim, graças ao grande sacrifício da minha MÃE, que começava a trabalhar as 6h da manhã até 00h. Qual deus, onde que ele está? Quero acertar contas com ele!
Cada caso é um caso mas não será que Deus também ajudou? Tantas vidas de sacríficio que os nossos antepassados levaram para que a geração seguinte possa ter melhores condições de vida.
Onde aprenderam essas gerações a fazer esse sacrifício?
A escola dessas gerações foi o amor de Deus e a Cruz de Cristo.
Não necessariamente. No meu caso as vidas de sacrifício dos meus antepassados, que de facto ajudaram a que eu tivesse uma vida um pouco menos sacrificada e melhores condições de vida, não tiveram nada que ver com qualquer amor a qualquer deus.
“Sem saber o que dizer aos pais que perdem um filho desta forma”. Várias vezes me confrontei com essa situação – ainda na semana passada, face à morte de uma menina de 11 anos – e até saber o que “dizer aos meninos da escola” que perderam um coleguinha da idade deles. O que afirma sobre Deus – e, já agora, parabéns pelo texto – é verdade e profundamente bíblico até. Deus comporta-se como “surdo” na maior parte das vezes… até com o Filho que, na Cruz, perguntava: “Meu Deus, porque me abandonaste?”. Mas a fé, pelo menos em meu entender, consiste em acreditar que Ele, parecendo surdo às nossas preocupações, não está nunca surdo nem cego para aquilo que é efectivamente mais importante para nós, mesmo que seja mais importante que a própria vida… como o era a vida de seu Filho Jesus. Mas Isto só Ele o compreende no imediato… nós precisamos de mais tempo para nos nos conseguirmos aperceber e… para Lhe dar razão.
Bom, eu não sei quem é Deus. Mas acredito que não há-de ser um muro de lamentações e pedidos, ainda que nós O tomemos por tal. Como diz, por uma questão cultural. Ou porque dá jeito um culpado que está tão presente como ausente. Não interessa.
Por outro lado, ainda nunca percebi – compreendi – qual é a nossa, sempre a dizermos que Deus é solitário, está sozinho, e tal, e tal. Mas então, se é Deus e perfeito, esteja sozinho ou acompanhado, está sempre no melhor dos mundos, isto porque um Deus não é parvo nenhum, é um Deus.
Não entendo o mundo divino, o que é natural, e cada vez entendo menos do humano, o que já é duvidar das minhas capacidades. De toda a maneira, a sorte de uns e o azar de outros é qualquer coisa de inqualificável, um desnível de abismo entre os homens, criado por um acaso qualquer. Talvez seja por isso que acredito num lugar que não é deste mundo (sou como a sua avó), onde a justiça seja feita. E se não existir tal sítio? Pois olhe, temos de ir andando com a cabeça entre as orelhas como canta o Sérgio.
Resumen
El objetivo de este trabajo es investigar la historia de la monstruosidad femenina en la literatura griega antigua
para recuperar algunas estructuras arquetípicas de pensamiento que se ocupan de la antigua y moderna
conciencia colectiva sobre el problema del mal, su naturaleza, sus razones y también su falta de razones. De este
modo yo repasé las “vidas paralelas” de tres famosas mujeres fatales de la mitología clásica que, colocadas en
puntos decisivos de árboles genealógicos horribles llenas de ‘maldiciones genéticas’, son capaces de formar un
tríptico bien definido de “medallones” enmarcados por un fil rouge de la monstruosidad ininterrumpida.
Paradigmático de la dialéctica ambigua entre hombre-mujer, bien-mal, víctima-verdugo, normalidad-desviación,
y de las dinámicas incontrolables entre los crímenes y los castigos, miedos ancestrales y deseo de
descubrimiento, demonios buenos y malos, los mitos de Lamia, Circe y Empusa destacan la atracción irracional
que, en la cultura griega antigua, tan racionalista, las personificaciones femeninas del mal son imaginadas
moviéndose, con el fin de influir en la conducta humana en las principales etapas de la vida
Um bom pai não abandona um filho, luta pra salvar o filho em qualquer situação, o bom deus de quem tanto se fala não o fez! Se ao próprio filho virou as costas, como podemos confiar e acreditar nele? Qto a irmos pro céu, tretas e mais tretas, qdo se morre ali td acaba. Corpo,espírito, alma! Fica as lembranças a saudade prós que cá ficam. Pobres mães que perdem seus filhos, e ainda dizem foi deus que o levou, prq não o deixou ficar com os pais? Mais uma prova que deus não é bom, ou melhor não existe! Nunca existiu, alguém mto inteligente noutros tempos inventou td isto pra iludir o povo que nesse tempo viviam em cavernas e acreditavam em td que lhe diziam. Hoje a juventude não vai em cantigas e assim se vê as igrejas com pouco mais de meia dúzia de pessoas.
Patricia
Podia dizer-te que desde os 20 anos – data em que voluntariamente me batizei – peço a Deus que me dê fé. A fé, Aquela que não nos deixa duvidar. Ele não me tem atendido. E até me levou um filho. Mas eu não consigo deixar de lhe pedir sempre o mesmo, a fé.
Talvez a fé seja isto mesmo, este grito que vem do mais fundo de nós, para que Ele nos oiça.
– Onde estavas quando eu me afundava?
– Onde poderia estar? Contigo!
Deus é assim …! Louco, apaixonado, “dentro” de cada um, se O aceitarmos Lhe dermos espaço … “Dentro”, não fora, não nas nuvens ou num espaço sideral algures nas esferas.
Querida, tu aos 20, eu aos 32 anos. Por minha livre vontade. Peço-lhe fé, tento não pedir mais nada, sei que não me atende. Peço-lhe fé, por saber que talvez a tenha para me agraciar com a mesma. Enfim. Tudo isto é muito triste, mas tu sabes como ninguém. Beijo-te daqui, sem longe ou distância
Ora bem, cada um tem a sua opinião, a sua vocação, e devoção! O essencial é respeitarmo-nos uns aos outros! Uma boa semana pra todos. Um bjnho.