Um dia destes dei por mim a recordar Maslow, e a sua pirâmide das necessidades humanas. Da maneira mais simplificada, de acordo com o senhor temos na base as necessidades primárias: um tecto, comida, água descanso. Subindo pela pirâmide, começamos a complexificar a existência humana. Quando estamos seguros e saciados, procuramos um conforto social. Amigos, família, um parceiro para a vida. Depois, já quase a chegar ao topo, vêm as outras questões, de realização pessoal, de auto-estima, dignidade, etc. Os degraus são vários, mas esta é a ideia: depois de determinadas necessidades básicas, desenvolvemos outras, que se vão tornando centrais.
Uma sociedade arruma-se mais ou menos nesta pirâmide. Uma sociedade desenvolvida, próspera, politicamente livre, estará provavelmente no topo. Os seus cidadãos não se preocupam com a base. Quando alguém cai, o Estado assegura os mínimos. É aqui que surgem questões como o casamento dos homossexuais, por exemplo. São questões que surgem quando as nossas necessidades têm a ver com a felicidade individual, abandonando o materialismo e procurando desejos mais subjectivos.
Chegada a este ponto, é evidente o ponto onde queria chegar. Todos os dias nos chegam notícias de pobres a comer os restos da sociedade do topo da pirâmide (literalmente: a comer as sobras da sociedade que vai ao restaurante, porque gosta de comer bem, não porque precisa das calorias); notícias de desempregados a perder o subsídio, e angustiados com a falta de uma rede de segurança. Ou seja: a base da pirâmide alastra, e tanto o Estado como a sociedade têm de lhe dar atenção. O imenso paradoxo é que nos consideramos uma sociedade moderna de topo da pirâmide. Pensámos que as questões da base estavam resolvidas. Não estão, e o problema é o desfasamento, o fosso que cresce entre a base e o topo, numa mesma sociedade. Tão grave como a solução da crise é a questão de como a viver, nesta pirâmide sem meio.

Estou contigo, Ana Margarida.
Eu não me importava de ter assinado esse texto. Ainda bem que continuas atenta, porque há coisas bem mais importantes para a nossa felicidade do que a divisão direita/esquerda. Coisas simples e que podem fazer toda a diferença.
obrigada, sérgio.
Muito bem, Ana.
🙂 thanks, godfather.
Na mouche, Ana.