
Contrariemos o Governo e o Presidente da República, que nos querem “confinar” de novo. Desconfinemos.
Sugestão de passeio de fim de semana, sobretudo a quem vive na Grande Lisboa: rumar a Sintra. Estive lá há dias: nunca me lembro de ter visto a vila tão vazia. Há um ano, todos se queixavam do “excesso de turistas”; agora os lojistas vêm ter connosco na rua, implorando aos raros transeuntes para lá entrar.
Esplanadas sem ninguém, restaurantes às moscas, hotéis sem hóspedes. No histórico Lawrence, celebrado por Eça, pergunto se servem almoços, como dantes, na varanda com vista para o mais frondoso verde que conheço em Portugal. O empregado da recepção olha para mim como se eu fosse um extraterrestre recém-desembarcado do Planeta Pré-Covid: «Agora não, acabámos com os almoços.» Magnífico cenário tão desperdiçado: a brisa soprada de Colares transportará o novo coronavírus? Talvez a notícia surja num dos telediários da noite.

Felizmente o parque de Monserrate mantém-se aberto. Sabe-se lá por quanto tempo. E ainda é possível circular ali uma tarde inteira sem usar máscara – até o vigilante Chefe do Estado sugerir algo em contrário.
Andava há vinte anos para percorrer aqueles trilhos labirínticos, para visitar o palacete neomourisco ali plantado no século XIX por um industrial inglês que se perdeu de amores pela serra que deslumbrou Byron.
Uma vez lá fui, e outra, e outra. Ou ameaçava ruína ou permanecia em “obras de reabilitação” sempre adiadas, talvez por falta de verba. Agora tive sorte: andei três horas por ali, vendo muito embora não visse quase ninguém. Como se Monserrate tivesse estado anos à minha espera para me brindar com este exclusivo.
Saí de lá fascinado com o panorama. Mas apreensivo com o futuro. Se ninguém o visitar, o parque acabará por encerrar outra vez. E os tais que clamavam há bem pouco contra o “excesso de turistas” voltarão a morder a língua pelas pragas que rogavam a quem permitiu salvar da ruína alguns dos mais belos recantos deste nosso doce mas ingrato país.

Serra de Sintra vista de Monserrate, com o Palácio da Pena lá no alto

Parece que os confinamentos estão a passar de moda. Descobriu-se recentemente o que já se sabia desde o século XIX sobre a nulidade dos seus efeitos epidemiológicos e sobre os terríveis danos colaterais que acarretam. Quem o afirma é a OMS. Aleluia.
“World Health Organization Tells Leaders To End The Lockdowns” p4k
https://www.youtube.com/watch?v=W4PuvmWq
Talvez a Great Barrington Declaration esteja a produzir frutos que outros documentos semelhantes não conseguiram produzir.
https://gbdeclaration.org/
Leopedro, olhe que o actual discurso do governo é para fazermos o que andou a fazer cá por os meus lados, mas em vez de ser com cuidado, neste caso é com confidado, abraçovelos e chegue pra lá.
Com um lugar assim – que não conheço e fiquei com vontade de visitar -, quem se lembra ou quer saber se há Governo ou Presidente da República? Creio que uma das razões da existência dos paraísos é fazer esquecer essas misérias.
Quando puder visite, Isabel. Se há locais mágicos em Portugal, este é um deles.
Voltar a Sintra com tempo suficiente será só uma questão de oportunidade e sorte com a meteorologia.
Das duas vezes que fui a Sintra com o propósito de visitar os Palácios e a Serra, estava um nevoeiro cerrado, pelo que se tornou impossível – apesar de umas investidas pelos caminhos dos parques – ver o que mais valorizo: a vegetação. Conheço apenas os Palácios da Vila e o de Queluz.
Pois comigo tem sido ao contrário: três deslocações a Sintra, sempre com clima perfeito. Para ver o palácio da Pena, o parque da Pena e o parque de Monserrate.
A mais recente, documentada nestas imagens, ocorreu quando havia um calor quase insuportável em Lisboa e os três ou quatro graus a menos que lá se registavam souberam muito bem.
Pedro Correia

Almoços! Olhe, se andar de avião, avie-se em terra; não há nada para ninguém. Uma amiga disse: não dão comida para o avião ir mais leve
Gastam menos combustível
Viajar de avião, nem pensar. Apesar de a doutora Graça Freitas ter autorizado voos lotados: aí, com ar rarefeito e com tudo apertadinho, ninguém usa a famigerada expressão “distanciamento social”.
Olhando em frente como é normal num avião não há qualquer problema.
Vê-se bem que você não é cinéfilo. Nunca viu “Emmanuelle”.
O ar num avião é de facto rarefeito, mas é mesmo assim mais limpo do que noutro transporte coletivo qualquer. Porque o avião está constantemente a extrair ar da cabine, misturá-lo com ar muito frio vindo do exterior, voltar a aquecê-lo e voltar a introduzi-lo na cabine. Devido a este sistema de circulação forçada, incluindo o ciclo de arrefecimento, o ar num avião está de facto mais limpo do que num autocarro ou num comboio. Não deve ser fácil um vírus sobreviver muito tempo dentro da cabine com um mecanismo assim.
Claro que o ar num avião é rarefeito. Até isso explica o sucesso da tal cena do filme “Emmanuelle” a que me refiro.
O Monserrate é fabuloso. Fui ha algum tempo fazer um passeio pelos sete palácios e este tem um enquadramento fantástico. Recomendo. O passeio num só dia é um bocadinho cansativo
Fiz tudo a pé, da vila até lá, na velha estrada já centenária. Depois, calcorreei tudo lá dentro. Valeu por uns dias a malhar no ginásio. Com muito melhor vista. E ar bem puro.
Aposto que sim, porque não é apenas ” um passeio no parque”
Não. É também uma lição de história, de botânica, de estética, de mitologia.
Inesquecível.
Foi dos primeiros locais onde levei a família a desconfinar. Em junho o cenário era igual, mas não imaginaria que se mantinha, ainda para mais em outubro onde as cores do outono são de uma beleza única. Fizemos Monserrate e Parque da Pena, locais que tive o privilegio de palmilhar várias vezes em trabalho, mas também em lazer.
Também não podia deixar de passar pelos travesseiros da piriquita.
Fiz uma visita minuciosa ao Palácio da Pena, há cerca de dois anos. No ano passado, dediquei uma tarde só para deambular pelo parque, percurso de quilómetros, com muitas subidas e descidas, em parte apoiado por pequenos veículos da empresa concessionária. A partir de certa altura deve ser feito tudo a pé: compensa – e de que maneira.
Monserrate merece também uma manhã ou uma tarde. Tal como a Quinta da Regaleira, complementada com uma visita a Seteais.
Mas o património de Sintra não é apenas arquitectónico ou cultural. Existe ali também um fabuloso e deslumbrante património vegetal, com espécimes de oriundas de todo o mundo.
Muita gente nem imagina que até ao segundo terço do século XIX aquela serra quase não tinha árvores. Este património vegetal foi desenvolvido, em grande parte, graças à iniciativa e ao impulso de D. Fernando II, rei-consorte, um monarca de boa memória. Muito influenciado pelo espírito da época, marcado pelo romantismo – e que desde então ficou associado a Sintra, tornando-a célebre em todo o mundo.
D. Fernando II fez muito disparate, incluindo introduzir em Sintra e em Portugal algumas lindas espécies exóticas, muito decorativas mas que em Portugal se transformaram em invasoras. Por exemplo as acácias mimosas, que são uma praga terrível, foram introduzidas em Portugal por D. Fernando II, em particular no parque da Pena. Outra espécie temível, a árvore do céu (ou ailanto), também foi introduzida em Portugal na mesma época, embora não saiba se por Fernando II.
Melhor fora ter posto a serra toda a sobreiros.
Tomáramos nós ter tido muitos monarcas como Fernando II.
Nos anos 80 fiz lá um picnic com amigos do British Council. Fomos de comboio e depois a pé pela estrada velha. O palácio era uma autêntica ruína, tinha tapumes e tudo, mas conseguimos entrar e imaginar como devia ser belo depois de restaurado.
O parque estava lindo e abancámos junto a um pequeno lago com nenúfares brancos – acho que foi a primeira vez que vi nenúfares.
Gostava de lá voltar para o ver recuperado, ao vivo, pois na tv já o vi várias vezes.
🌿🌼
Maria
Sei bem, Maria. Durante muitos anos, Monserrate equivalia a ruína e degradação.
A recuperação foi lenta, demoradissíma. Quase nos esquecíamos daquele património, natural e cultural.
Agora está excelente. Mas, sem visitantes, e com elevadíssimos custos de manutenção, não lhe auguro um futuro muito promissor.
Gostaria imenso de estar enganado.
Eu fui a Monserrate durante o confinamento, mas estava fechado. Na mesma ocasião fui também à Pena e ao castelo, mas o acesso a ambos estava interdito. Foi muito interessante ver todos esses lugares nesse período – tudo fechado, sem ninguém, parecia um passeio fantasma. A serra toda deserta, não se via ninguém.
Agora está quase igual, mesmo sem “confinamento”.
A diferença é que, por enquanto, os parques, jardins e palácios permanecem abertos ao público. Só que quase ninguém lá vai.
Sabe-se lá por quanto tempo.
E de ir agora nesta época de Outono e aportar à Periquita aos travesseiros quentinhos.Nem sequer tem muita “fila”…
Nem bichas nem filas.