A violência católica


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(São Tiago, o Matamouros, por José María Casado del Alisal )

Li há dias que um funcionário farmacêutico lisboeta, por ter defendido uma colega – acto que denota sentir cavalheiresco a indiciar algum machismo -, foi severamente espancado no seu local de trabalho por dezenas de membros de uma família – as parcas notícias do facto são díspares quanto ao número dos agressores, variando entre 20 e 50 …

A imprensa pouco mais adianta, nem sobre os detalhes do acontecido nem sobre as investigações subsequentes. Não há qualquer proclamação das autoridades policiais ou dos orgãos camarários. Há silêncio governamental e até presidencial – e é particularmente surpreendente que o Presidente Sousa, que elabora sobre quase tudo, agora elida o assunto. Mais extraordinário, nada se ouve de sindicato, ordem, associação ou outro qualquer órgão da classe dos farmacêuticos. E as redes sociais não fervilham em ecos indignados. Não grassa a ira popular nem a preocupação oficial diante disto de um trabalhador ser espancado no seu local de trabalho, ainda por cima por motivos tão espúrios, pois, ao que consta, tudo foi originado por um pequeno incidente de trânsito no qual o agredido nem esteve envolvido.

Julgo que este silêncio social tem uma evidente causa: o receio, de respeito disfarçado, diante da Igreja Católica. Pois afrontar estes radicais católicos, tantos deles congregados na poderosa Associação das Famílias Numerosas, é ainda um risco. Pelos vistos, andam agora a espancar o cidadão comum. Tal como há séculos atrás fizeram …

Adenda: sobre o nome próprio do santo representado no quadro que encima o postal surgiram comentários discordantes. Correndo o risco de acicatar a fúria das temidas Famílias Numerosas, não modificarei a versão que apresentei do nome do Santo Genocida (que é assim que deverá ser conhecido no pensamento actual).

26 comentários em “A violência católica”

  1. se é como diz e a visada era uma mulher que, por razões que não explicita mas se prendiam com qualquer altercação relativa a um incidente de trânsito, sendo que o seu defensor foi espancado por vários membros da mesma família, não vejo razões para os criminosos serem poupados à esparavela da notícia e ao consequente castigo. Pertencem às famílias numerosas que a igreja apoia; e depois, um crime é sempre crime, seja quem for que o pratique. Julga que a imprensa o poupou por pudor à Igreja. E aponta o caso de São Tiago que perseguia e matava sarracenos. Parecem-me casos diferentes, embora eu convenha, à sombra da fé, a Igreja foi talvez o maior agente de morte e castrador de liberdade.
    Desconheço o motivo do silêncio, mas julga que a nossa imprensa se prendia por tal benevolência para com a Igreja, quando o estendal de falta de subtileza, o escândalo e a crueza imperam na notícia até onde são em demasia?! Muito me admira que em nome de uma igreja que não cultivam nem respeitam, se calem. Quanto à alusão ao Presidente, seja ele quem seja, será que tem de comentar tudo que de mau acontece país fora?!
    Avento outro motivo: talvez o pobre que defendeu a colega fosse um Zé Ninguém como eu e a maioria de nós, e para que gastar letras nele quando, pelo que se viu, a tal família é vingativa e age sem escrúpulos.
    Mas, já agora, e a polícia o que fez, o lesado não apresentou queixa? É que não precisamos sair no jornal, não seria isso que o lesado desejava, mas precisamos que a justiça aja. A impunidade criminosa é que me parece o verdadeiro cancro.

    1. “A impunidade criminosa é que me parece o verdadeiro cancro.”

      Foi exactamente isso que disse André Ventura em relação a esses “radicais católicos”.

  2. Se o espancado não é negro, migrante, homossexual, transgénero, defensor dos direitos dos animais e não pertence a uma outra qualquer minora, está bem de ver que não há quem lhe valha.

    É que, assim sendo, na agressão não existe racismo, xenofobia, homofobia, islamofobia, discurso de ódio, ou violência verbal. Nem sei mesmo se nestas circunstâncias a agressão constituirá crime.

    1. Dicionário 2020 adotado pela comunicação social mainstream

      Ciganos= família/família numerosa
      Preto= jovem
      Muçulmano= refugiado

  3. Creio que o tema está relacionado com o problema no Nagorno-Karabak. Apesar do cessar-fogo as escaramuças continuam.
    Presumo que em ambas situações seja necessária a intervenção de uma Força das Nações Unidas.

    Todavia, acredito que bom em resolver situações de violência é o great again Trump.
    Continuo a acreditar que a sua reeleição nos trará a liberdade e melhorará o nosso orçamento para o pagamento do atraso nas remunerações às nossas forças policiais.
    O que é preciso é calma: Vai tudo ficar bem. Mas muito mal se não reelegermos Trump. Votem Trump, mas presencialmente e não por correspondência.

  4. Não é preciso pensar muito, basta ver quais foram as reacções dos SOS e Blocos à agressão do desgraçado do ucraniano, ainda por sendo essa agressão perpetrada por agentes do Estado.
    A violência só é notícia consoante a vítima. Neste caso, tratou-se de uma mera escaramuça, tivesse sido a senhora agredida, já seria caso de violência de género, fosse o farmacêutico de uma minoria étnica, era racismo.
    Estivessem os 20 alegados (sim, aqui têm de ser alegados) agressores reunidos para pontapear um qualquer canito, já teríamos reacção parlamentar.

    Já agora, o que é uma “família de comunidade”?

    1. Precisamente, o silêncio sobre o Ucraniano assassinado foi emblemática.

      Tinha pele branca, estragava a narrativa que o jornalismo queria impor.

      É a raça , o sexo da vitima que faz com que esta seja ou não notícia no “jornalismo de referência neo-marxista”

      Publicos,Expressos, Sic’s TVI’s RTP’s etc…

      Neste caso nem ser um trabalhador o safou o que mostra como o neo-Marxismo abandonou o mundo do trabalho para se refugiar nas redacções e Universidades. Locais onde se pode pregar.

      lucklucky

  5. Ao que parece a dita família enquadra-se no velho e desusado ditado de “…um olho no burro e o outro no…” .

    Assim sendo, deixa de haver notícia.

    Cumprimentos

    Fernando Antolin

    1. Por uma única vez li o nome da comunidade a que pertence a família agressora. Estava a ver que não conseguia! Já tinha lido e ouvido esta notícia há uns dias, em vários locais e meios, mas nunca ninguém tinha escrito ou pronunciado a palavra “ciganos”. E eu pergunto: qual é o medo? Porque é que há este receio, escrúpulo ou lá o que seja de nomear os bois pelos nomes? Aposto que se alguém da referida comunidade tivesse sido vítima de qualquer agressão já as trombetas teriam tocado outra música! Esta coisa do “politicamente correto” é de bradar aos céus!

  6. O fundamental é obter resposta a estas duas prementes questões:
    – Será que tão ilustre e dilatada família, no decorrer desse “evento”, obedeceu às regras de “distanciamento social”?
    – E usariam todos máscara nesse espaço público ao ar livre, como preconiza Sua Excelência o Presidente da República?

    1. Temo que tenham violado esses preceitos. Mais razões para sublinhar o timorato silêncio das instâncias públicas e lamentar o silêncio do indignismo nacional.

  7. Isto tudo na base da Redord TV que esteve no local a apurar os factos.
    Que chatice, mais ninguém quis saber do assunto, calhando por causa de não ser ‘assim muito, pouco ou quase nada’ para ninguém querer saber do caso.
    A Record TV informa ter sido uma ‘família numerosa’, para toda a gente facilmente identificar terem sido os Vasconcelos e Sá convivendo no regresso duma prova de hipismo e alguém lhes bateu numa das suas stations e ficaram maçados com uma senhora que começou a tirar selfis sem autorização e apareceu um senhor a dizer-lhes V.Exas. não tratem assim uma senhora que está a tirar umas fotos artísticas, e prontus o jpt conta-nos aqui o que a Record TV soube e que mais ninguém quis saber.
    O São Tiago, o Matamouros, coitado do Apóstolo já tinha morrido há mais de 700 anos quando os cristãos correram os mouros à espadeirada gritando ‘tomem lá qu’é por São Tiago’, não vamos agora, a pedido de jpt, correr com os Vasconcelos e Sá que por cá andam há séculos a conviver e a fazer provas de hipismo.

  8. Se dar prioridade a uma senhora num elevador é micro-machismo, então defendê-la numa rixa de rua é machismo de lesa pátria. Estava a pedi-las. Talvez aprenda.

  9. “E as redes sociais não fervilham em ecos indignados.”

    Não vejo redes sociais (nenhumas) mas admiro-me que o Chega tenha deixado passar.
    Já nada me admira que ninguém tenha sido detido ou identificado. Já tive problemas com essas “famílias numerosas” e sei bem o que (não) esperar quer das autoridades quer do próprio Ministério Público.


  10. jpt – se eram mais de 10 estavam em transgressão, nem precisavam agredir.
    Se um agente da autoridade tivesse de intervir, lá vinham os vídeos que seriam passados de 15 minutos pela tv do costume.Lá vinham os comunicados dos amigos dos jacarés.
    O melhor é não sair de casa!
    SL

  11. E continuam a surgir grossos estudos e sisudas opiniões sobre o (s) porquê(s) do crescimento do “Chega”…

    JSP

  12. Santo Iago.
    Se não dizemos São Tantónio.
    Nem São Tivo
    Nem São Tandré.
    Qual a razão para dizermos São Tiago?
    A regra é a seguinte, quanto o nome do santo começa por consoante usa-se a fórmula São.
    São Paulo, São José, São Pedro, etc
    Quando começa por vogal utiliza-se a fórmula Santo.
    Santo António, Santo Ivo (patrono dos advogados e dos ladrões) Santo André (o da Escócia) etc
    Em castelhano tendem a usar o apóstrofe, Sant’ Iago, em francês e inglês a palavra evoluiu de forma diferente a partir do latim Iacobus; Jacques e James, respectivamente.
    Quanto ao tema do post são essas aventuras (e o silêncio que se segue) que fazem os Venturas.

    1. Sabia que um dos nomes próprios mais registados, por cá, em 2019 foi Santiago?
      Até então apenas apareciam como apelidos familiares como Santana (Sant’Ana)

      1. Santiago é utilizado como nome próprio há vários anos.
        Como Iago, aliás.
        Há ou havia um Iago no campeonato português de futebol e Iago Aspas, futebolista espanhol.
        Aqui está em causa o nome do santo que é Iago e não Tiago.

  13. Este grupo familiar que veio para p`rá porrada, gostava de saber se se podia requisitar para outras causas, outros enxertos! Tenho um serviço para encomendar…
    Obrigada.

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