Demasiado previsível


Sérgio de Almeida Correia,

Nas linhas que hoje deixou no DN, Mário Soares podia ter aproveitado para esclarecer as razões que o levam a tanto azedume em relação a Alegre. Esqueceu-se que quando há quatro anos o PS optou por ele já muita gente pedia, dentro e fora do partido, que fosse Alegre o candidato.

Até hoje não o ouvi justificar em termos políticos e intelectualmente sérios as razões para então se ter candidatado contra Cavaco Silva. Explicações de circunstância deu muitas. Ele, mas também o secretário-geral do PS e o presidente do partido que já nessa altura eram os mesmos.

É que as razões que são agora invocadas para apoiar Manuel Alegre já eram válidas em 2005. Por isso, aquilo que eu gostaria de ter lido ou ouvido Mário Soares explicar era por que razão o erro grave e fatal é o que o PS comete agora e não foi aquele que atirou Cavaco Silva para Belém e que o deixou, a ele Mário Soares, na história das presidenciais com uma votação típica do Bloco de Esquerda. Depois de ter vencido por duas vezes as presidenciais essa votação foi obra.

Eu teria vergonha desse resultado e da falta de visão política que essa candidatura representou. Porém, admito que a memória já não dê para tudo.

4 comentários em “Demasiado previsível”

  1. Mário Soares contribuiu alegremente para fazer eleger Cavaco Silva em 2006, levando Sócrates a patrocinar a mais dura derrota de sempre do PS. É lamentável que no artigo do DN não tenha especificado os motivos políticos que o levam a não votar Alegre em 2011. Fica assim a ideia de que tudo não passa de uma birra pessoal. É pena. A política não deve ser feita com estados de alma. Muito menos com estados de alma como este.

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