DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «Se eu for reformada, posso perfeitamente continuar a trabalhar, e auferir um salário, que acumulo com a minha pensão. Se eu for bolseira, estou impedida de ganhar mais um cêntimo que seja, e dependo em absoluto do grande e magnífico Estado. Se esse mesmo Estado, por algum motivo, congela o meu pagamento, paciência. Espera uns meses, pode ser que passe. Mas entretanto, vai pedindo dinheiro emprestado, que ganhar dinheiro a trabalhar não é para todos. A minha overdose de qualificação trama-me.»

 

José Navarro de Andrade: «Monica Ali não é a melhor escritora do mundo. Se o seu primeiro romance, “Brick Lane”, teve um êxito estrondoso e levantou uma acesa polémica entre a comunidade bangladeshi no Reino Unido, à qual ela pertence e cujo quotidiano desenraizado é minuciosa e conflituosamente descrito no livro, já a segunda obra publicada por Ali intrigou os literatos e o público. Chama-se “Alentejo Blue” e decorre nessa estranha e despovoada charneca, perdida no extremo sudoeste da Europa.»

 

Rui Rocha: «Tenho, desde muito pequeno, a mania de associar músicas, videoclips ou filmes às mais diversas situações. No momento actual da vida política, o primeiro impulso é o de ilustrar certas nomeações com o Boys Don’t Cry dos The Cure. Todavia, analisados os clips disponíveis no Youtube, parece-me que a coisa não funciona. O Roberth Smith é demasiado soturno para ilustrar a felicidade de pessoas que estão bem na vida. E a letra também não ajuda.»

 

Eu: «”Não existem desempregados, existem pessoas que estão no desemprego”, afirmou Zapatero em Fevereiro de 2008. Valeu-lhe de pouco a aula de correcção política que ministrou aos compatriotas. Ao abandonar o poder, há poucos dias, deixou ao sucessor — o conservador Mariano Rajoy, vencedor incontestado das legislativas de 20 de Novembro — um legado nada invejável: cinco milhões de desempregados (perdão, de pessoas sem emprego), o que corresponde a 21,5% da população activa e é a maior cifra do género desde que há registos oficiais em Espanha. Há hoje cerca de milhão e meio de lares espanhóis em que marido e mulher estão simultaneamente desempregados. E 48% dos menores de 30 anos não consegue encontrar trabalho por lá nos dias que vão correndo.»

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