
O problema de uma pessoa assumir vários papéis, e querer tocar diferentes instrumentos ao mesmo tempo, é que normalmente dá mau resultado. Tal só não acontece se o executante for de excepção e não tiver um discurso para dentro e outro para fora.
Vem isto a propósito de na passada segunda-feira, 10 de Dezembro, numa acção de pré-campanha levada a cabo pelo Partido Socialista, Augusto Santos Silva, que é o cabeça de lista do PS pelo Círculo Eleitoral de Fora da Europa, ter participado numa conversa, que contou com vários interlocutores de Macau, intitulada “Ouvir as Comunidades”, a qual foi transmitida em directo e está disponível em diferido numa rede social.
Independentemente do maior ou menor interesse do que por ali se disse, entre assuntos importantes e trivialidades de sacristia, durante umas longas duas horas, houve uma coisa que não passou em claro. E que não podia ter sido dita.
A dado passo da conversa, o candidato, esquecendo-se que é também ministro dos Negócios Estrangeiros, deu conta da mudança do Cônsul-Geral em Macau, ainda no corrente ano, fazendo questão de esclarecer ser seu compromisso, no futuro, “nomear alguém que corresponda a todas as dimensões da actividade consular, que não é apenas de passar papéis, mas que compreende também a dimensão económica, empresarial, relação com as associações, a dimensão do apoio à escola portuguesa“. Acrescentou, ainda, que “todas estas dimensões são muito importantes para o cônsul português em Macau e a nomeação que farei terá de ter em conta a avaliação em todas estas dimensões“.
Se ao ministro, isto é, ao candidato, já não ficava bem com tão pouca diplomacia e elegância anunciar numa acção partidária a saída do representante diplomático português em Macau, pior ficou a pintura com aquilo que disse, pois que ao fazê-lo esqueceu-se de que fora ele quem nomeou o actual titular.
Se tais critérios não foram antes tidos em consideração, deviam-no ter sido. Se mudou o critério escusava de dizê-lo desse modo. Muito menos quando o visado continua em funções. Lamento ter de sublinhá-lo.
Confesso que não percebo, depois de tudo o que tem acontecido em Macau de há vários anos a esta parte, e não obstante a desatenção e desvalorização do MNE, e de quase todos os responsáveis políticos portugueses e do PS, aos sinais que foram sendo transmitidos para Lisboa, designadamente quanto ao cumprimento da Declaração Conjunta e da Lei Básica (que só após muita insistência e numa situação extrema vieram a ser referidos), qual o interesse na menorização da nossa representação consular e do seu titular.
Para o bem e para o mal, Paulo Cunha Alves é um diplomata de carreira com o posto de Embaixador e o mais alto representante de Portugal em Macau. E sendo um profissional, o diplomata não poderia ter dado outra resposta do que aquela que deu quando ouvido por um matutino local sobre o assunto.
Se no passado critiquei a inacção, ignorância e incompetência de alguns face aos assuntos de Macau, independentemente da respectiva cor política e sempre que estavam em causa os interesses de Portugal e dos residentes, impõe-se agora, ciente de que nisto tenho a compreensão e o apoio de muitos dos que aqui vivem, que seja publicamente manifestada a minha solidariedade ao Cônsul-Geral de Portugal em Macau.
Estiveram mal o ministro e o candidato. Esteve bem o representante consular.
Em campanha, ou pré-campanha, nem tudo pode ser dito. E há coisas que não se dizem de todo quando se é ministro de um Governo da República. Mesmo quando se é também candidato. Um homem não é só a sua circunstância.

O actual consul disse o que há a dizer.
Se sai e porque sai nada é dito.
Muito mal o ministro, mesmo. E bem que se pode escudar na letra do que disse que o conteúdo é mesmo desagradável. Aproveito para aqui expressar a minha simpatia pessoal e o meu respeito profissional por Paulo Cunha Alves, que conheci como ainda jovem e já excelente profissional durante o seu posto de secretário de embaixada em Maputo. E sim, respondeu como se impõe.
Pese embora a deselegância e má educação do ainda ministro, registe-se o fairplay do actual cônsul e o silêncio ruidoso dos outros interlocutores da dita conversa.
Episódio realmente desnecessário em fim de “festa”.
Parabéns pelo artigo.
Este texto é o retrato da verdadeira Hipocrisia dos portugueses em Macau.
Em todo o lado, à mesa. no café, nas esquinas, na cama, em cima e debaixo dela todos criticam o Cônsul ou o senhor embaixador como ele exige ser tratado pelos seus apaniguados.
Ninguem o quer. Todos o querem ver pelas costas, inclusive o autor do texto, que agora parece uma virgem ofendida.
O proprio autor do post acima acorda todos os dias, olha para o espelho e traveste-se de Gil Vicente. Qual Barca do Inferno.
Em macau, não ha alma pura ou impura que comente a falta de charme e sensibilidade da senhoria em lidar com os assuntos da comunidade. Esta mesma pessoa nao diz bom dia, nao diz olá nao cumprimenta os seus concidadãos. Que vá de barca e não se engane no destino e leve o Gil Vicente travestido de puritano.
São tantas as vezes que o o Cônsul ou o senhor embaixador como ele exige ser tratado descurou as suas responsabilidades de protector dos portugueses. Ninguem se esquece que foi ele quem mandou os portugueses ir de férias para Portugal quando comecou a epidemia na China!!! O que fez o senhor para reagrupar as familias portuguesas que estão e ainda continuam separadas? Diplomaticamente desconhece-se a sua atitude e o seu empenho num dos assuntos sociais com mais dano na sociedade.
bem …
“Um homem não é só a sua circunstância” qual Brísida qual Onzeneiro, qual quê temos aqui o passaporte para o purgatório. Vivas ao Sergio.