
Ana Margarida Craveiro: «Nas últimas semanas, tenho andado a braços com um tijolo de 800 páginas. O autor é Steven Pinker, psicólogo social, que nos oferece este The Better Angels of Our Nature – The Decline of Violence in History and Its Causes. O subtítulo explica exactamente o conteúdo: a violência tem vindo a diminuir, ao longo do tempo, e o autor procura as causas desse declínio, recorrendo à história, sociologia, economia, psicologia e filosofia política.»
Ana Vidal: «Milagre ou fenómeno científico, o certo é que basta um caso destes para pôr em causa todas as teorias sobre coma, morte cerebral, irreversibilidade clínica, etc. De vez em quando, é bom que alguém nos lembre de que não somos deuses.Vejo, com satisfação, que a miscigenação das classes sociais tem vindo a ganhar terreno de forma saudável e natural. Tudo se vai ajustando. Não são alheias a este facto a diluição de fronteiras e a diversidade de culturas que hoje em dia convivem com a nossa. Os tiques de classe vão, aos poucos, perdendo o seu peso. E ainda bem.»
João Campos: «Mais dia menos dia, com mais greve e menos comboio, a CP estoira de vez, e os maquinistas – estes mesmos que boicotaram o Natal de milhares de pessoas e que passaram 2011 a transtornar a vida a milhões – ficam desempregados (pelo menos os de longo curso). Da minha parte, que desde miúdo adoro comboios e que não encontro meio de transporte que se compare ao velhinho pouca-terra (nem o carro), lamento que assim seja. No entanto, quando tal acontecer, que não se queixem os maquinistas: a cama onde se vão deitar também foi feita por eles.»
Rui Rocha: «Se é possível induzir fenómenos de comoção colectiva como aqueles que foram observados na Coreia do Norte a propósito da morte de Kim Jong-il por forma a que a adesão às sessões de choradeira pública tenha natureza aparentemente espontânea e não resulte de mera encenação ou actuação teatralizada? Pois, não tenho a certeza. Mas, às vezes pergunto-me até onde seríamos capazes de chegar com mais meia dúzia de reportagens em directo sobre a doença do Eusébio.»

João Campos: a maioria das pessoas atualmente desloca-se em camioneta expresso, não em comboio. Uma greve dos maquinistas provoca prejuízo somente ao escasso número de portugueses que insite em circular de comboio. Somente anda de comboio quem tem dinheiro para pagar tal luxo (que é bem mais caro do que andar de camioneta expresso), ou quem tem descontos dados pelo Estado.