DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «Apesar da recente reabilitação dos seus discursos e ideias, gostar de [Margaret] Thatcher ainda requer muitas explicações e gera alguma controvérsia. Ela não beneficiou nunca de uma complacência que se tem por quem vem de outros quadrantes políticos em que a bondade e a sensibilidade social são pressupostas e não têm de ser demonstradas.»

 

Cláudia Köver: «Sou daquelas pessoas que trauteiam músicas. Daquelas pessoas que trauteiam músicas de Natal o ano todo. Além disso, sou daquelas pessoas que adoram um bom “cheer up” com um vídeo que não tenha nada de subliminar, nem nada de inteligente para nos ensinar, mas cujo único objectivo é divertir-nos.»

 

Ivone Mendes da Silva: «Estive durante a toda a manhã numa reunião de corpo presente. Adoptei a atitude que assumo em circunstâncias que tais: costas direitas e um olhar de indesmentível atenção cravado em quem está a falar. O pensamento, o pensamento vai andado por ali e por acolá. Trabalho imenso nestas circunstâncias.»

 

João Campos: «Se é correcto o primeiro-ministro apelar à emigração? Eu duvido que o homem estivesse a apelar à emigração, mas mesmo dando isso de barato: qual era a alternativa? Inventar um “programa” baseado numa “promessa” para dar emprego às dezenas de milhares de professores que todos os anos não conseguem colocação? Estamos muito mal habituados, é o que é.»

 

João Carvalho: «Muita gente me tem perguntado o que se passa com o caso do Isaltino. Comecei por explicar aquelas coisas todas dos recursos, dos prazos, dos incidentes e tudo o mais que se sabe e ainda o que ninguém sabe. Agora, já na falta de respostas convincentes, decidi passar a dizer que ele está com a pena suspensa. Como não há meio de a Justiça dar um sinal que demonstre que os casos de crime com maior visibilidade não passam de confrontos entre poderes, mais vale dizer que as penas aplicadas são suspensas. Como no caso do Isaltino. É mentira? Claro que não. É verdade.»

 

Rui Rocha: «A onda de solidariedade que tem sido dirigida aos docentes convidados a emigrar é, as mais das vezes, hipócrita. O que está também em causa é a escolha entre uma abordagem baseada no mérito e uma outra que salvaguarda os direitos adquiridos. Como em todas as outras profissões, exercidas no sector público ou privado, há uma percentagem de docentes do quadro que não tem quaisquer condições para continuar a ensinar (serão 15%, tal como acontece noutras profissões?). Deviam ser esses e não alguns docentes  contratados competentes (também aqui há os que estão bem preparados e outros que jamais poderão ser professores) aqueles a quem Passos Coelho poderia sugerir que emigrassem.»

 

Eu: «A palavra ditador parece ter caído definitivamente em desuso em Portugal. Só isto explica que a SIC Notícias tenha hoje revelado ao País que “morreu o líder da Coreia do Norte”. E no entanto não conheço nenhum outro dirigente mundial, na actualidade, que merecesse tanto o epíteto de ditador como Kim Jong-il, herdeiro da mais longa dinastia comunista do planeta. Nem conheço nenhum país que ostente um nome oficial tão desfasado da realidade como a chamada República Democrática Popular da Coreia. Um país que nada tem de republicano, pois o poder transita ali dentro do mesmo ramo familiar, como era costume na corte absolutista de Versalhes.»

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