
Adolfo Mesquita Nunes: «Aos 35 anos somos profissionalmente encarados como crianças, mesmo por aqueles – ou sobretudo por aqueles – que, gerações idas, estavam profissionalmente instalados aos 30.»
João Carvalho: «O que Paulo Rangel nunca explicou muito bem é o motivo aparentemente fútil de pequena vaidade que o levou a votar contra uma Emenda proposta no Parlamento Europeu que visava pôr fim às viagens aéreas em classe executiva entre Lisboa (ou Porto) e Bruxelas. Foi nos primeiros meses deste ano, em plena crise. É bom que comecemos a contrariar o velho vício da memória curta que faz parte dos nossos desleixos colectivos tradicionais. As explicações que ficam por dar não devem apagar os factos nem branquear os princípios.»
José Maria Gui Pimentel: «Decidi ver o Melancolia. Acabo de o fazer, e tenho que confessar: foram duas horas penosas, achei uma chachada completa. Desculpem-me a franqueza. Os filmes afinal são isto, subjectividade.»
Laura Ramos: «Ando a seguir distraidamente, como qualquer europeu, a actual presidência do Conselho da UE, que pertence à Polónia até ao final de 2011. Confesso duas coisas: primeiro, trata-se de um país e de um povo que me merecem uma imensa consideração, para não dizer um quase-afecto, sem qualquer razão especial para isso que não seja o efeito de uma visita marcante que ali fiz, em trabalho, há mais de uma década; segundo, interessa-me sentir o pulso desta coisa abstracta chamada União Europeia e conhecer o pensamento dos países membros que não pertencem à ‘ala dos tubarões’. Pensamento, sim, ainda vai havendo disso em política, pasmem.»
Luís M. Jorge: «Agora que no i se escrevem crónicas de borla e no Público se reduzem colaboradores, seria pedir muito aos paladinos da austeridade que nos maravilhassem pelo exemplo?»
Luís Menezes Leitão: «Parece que Sócrates afirmou que “pagar a dívida é uma ideia de criança”. Ou seja, os adultos devem aprender a ser caloteiros. O problema é que depois só os ingénuos lhes dão crédito. Com um Primeiro-Ministro com estas ideias, não admira que Portugal tenha caído a pique nas agências de rating e os juros tenham disparado, fazendo-nos passar pela situação actual.»
Rui Rocha: «O tempo foi passando, mas aquela frase ficou: eu li a Criação do Mundo. A curiosidade foi crescendo e acabei por comprar o livro. Comecei a ler sem grande esperança ou entusiasmo. A memória do Corvo Vicente ainda estava demasiado presente… Depois, o assombro foi crescendo. Em termos estruturais, o livro divide-se em 6 partes, correspondendo cada uma delas a uma fase da vida de Torga. As duas primeiras (a infância em Trás-os-Montes e a adolescência e parte da juventude no Brasil) são relatadas em páginas que me marcaram como poucos livros o fizeram.»
Teresa Ribeiro: «Para equilibrar as contas da saúde lá teve o ministro de anunciar medidas impopulares: agora foi o aumento das taxas moderadoras, seguir-se-ão os cortes nas comparticipações de alguns exames e medicamentos. É chato mas diz que não há dinheiro, portanto os sacrifícios têm de se repartir por todos (todos é uma palavra que quando aplicada em contextos como este tem uma certa força moral). Sobre a necessidade de cortar nos encargos com os subsistemas de saúde de que ainda beneficiam algumas castas como as polícias e os militares é que não oiço nem um sussurro. O respeitinho é muito bonito e a coragem política tem os seus limites. Não é? Pois é.»

[a Polónia é] um país e um povo que me merecem uma imensa consideração, para não dizer um quase-afecto, sem qualquer razão especial para isso que não seja o efeito de uma visita marcante que ali fiz, em trabalho, há mais de uma década
Eu também visitei a Polónia em trabalho e não lhe tenho assim afeto. Acho que o povo é demasiadamente religioso e vive demasiadamente agarrado ao passado (ocupação nazi e domínio soviético).