
Ivone Mendes da Silva: «Dali a instantes, estava sentada no sofá a beber chá dos Açores e a ler, a reler, A Mecânica da Ficção. James Wood é um renomado crítico literário, com aversões e admirações como qualquer bom crítico que se preze e, actualmente, professor de Prática da Crítica Literária em Harvard. Neste livro, conduz-nos ao longo de pequenos capítulos aforísticos entre metáforas e diálogos, como se de uma visita guiada se tratasse. Wood aponta, mostra, chama a atenção. De Iris Murdoch a Tolstói, de Saramago a Joyce, de Proust a Virginia Woolf, de Updike a Shakespeare, de Coetzee a Flaubert, está lá tudo. Quase tudo.»
João Campos: «Falta sabermos qual vai ser o plano de redução e reconfiguração de carreiras na Carris, e o que vai acontecer ao Metro. De qualquer forma, se isto passar e se o Metro passar a fechar às 23h, o Governo pode enfiar no cu qualquer ideia de promover o transporte público e de retirar carros da cidade.»
José António Abreu: «A Casa das Letras (grupo Leya) vai publicar dentro de dias 1Q84, de Haruki Murakami. Melhor: vai publicar o livro 1 de 1Q84, de Haruki Murakami. No Japão e no universo anglo-saxónico (pelo menos), 1Q84 foi publicado em duas partes: um volume com os livros 1 e 2, outro com o terceiro e último livro. Aparentemente, a Casa das Letras está preocupada com as lesões que os leitores podem sofrer ao manusearem livros pesados e decidiu dividir a obra em três. Ou a razão será outra?.»
Leonor Barros: «Além de terem sido elegidos pelos seus próprios povos alguém mais se lembra de ter votado no par de jarras aí em baixo para pôr e dispor dos desígnios da Europa? Pois. Eu também não.»
Luís M. Jorge: «O referendo grego tem uma vantagem clara: a alteração imediata das percepções da opinião pública europeia. Ou seja, se até agora os cidadãos da UE encaravam a crise da dívida como um problema que a Grécia tinha de resolver para benefício da Europa, mesmo que fosse à custa da humilhação do povo, hoje sabem que é a Europa que tem de resolver o problema da Grécia para seu próprio benefício, se quiser sobreviver. Repito: se quiser.»
Luís Menezes Leitão: «A tragédia grega devia servir de exemplo para Portugal perceber que não pode seguir o mesmo caminho. Ninguém compreende que se cortem salários para recapitalizar bancos no quadro de um discurso de engenharia social, a defender o ajustamento salarial dos funcionários públicos ou o empobrecimento colectivo do país. E muito menos são aceitáveis discursos culpabilizadores em relação a pessoas que não têm qualquer responsabilidade no descalabro financeiro a que o país foi conduzido e que vão sofrer na pele essas medidas.»
Rui Rocha: «A trapalhada política provocada por Papandreou e os avanços e recuos relativamente à questão do referendo representam um combustível adicional derramado sobre o barril de pólvora político e social da Grécia. A rua terá dificuldade em aceitar que lhe retirem um referendo que foi prometido como forma de devolver a soberania ao povo.»
