
Ana Vidal: «Aposto que os arautos do bota-abaixismo vão descobrir imeeeeensos contras nestas medidas. E aposto que são os mesmos que gritavam que é preciso emagrecer o Estado. A coerência não é para todos, e há que ter sempre umas pedras de reserva para atirar.»
Ivone Mendes da Silva: «Terminei ontem a leitura de As luzes de Leonor de Maria Teresa Horta. Acho que o li bem, que é o melhor tributo que se pode prestar a um livro e a um autor. O romance de época, e eu vou designar assim a narrativa cuja acção se situa num tempo diverso do do autor, cria a quem se dispõe a entrar por essa via, uma exigência de proximidade.»
José António Abreu: «Caminhava pelo passeio, regressando do almoço. Poucas dezenas de metros à minha frente, duas turistas, raparigas de vinte e poucos anos, debatiam-se com um mapa. Uma voltou-se e pediu auxílio a outra rapariga – presumivelmente portuguesa – que se encontrava perto, junto a uma montra. Esta olhou para o mapa, hesitou, chamou uma amiga. Ficaram as quatro a olhar para o mapa, rodando-o, aproximando e afastando a cabeça da sua superfície, olhando para cima uma e outra vez como que para confirmar o local em que se encontravam, fazendo deslizar a ponta do indicador pelo papel. Neste ínterim, cheguei junto delas. Vinha preparado para providenciar ajuda mas nenhuma das quatro ergueu os olhos do mapa.»
Rui Rocha: «A Administração Pública está sujeita ao cumprimento da lei. Cabe ao novo governo demonstrar que não vale tudo. Os cortes, a racionalização, a poupança, não podem fazer-se apesar da lei ou contra a lei. E, convenhamos, no caso de muitos docentes contratados já bem basta a posição iníqua do Estado que os manteve em situação de precariedade ao longo, em muitos casos, de dezenas de anos. Negar-lhes agora um direito legalmente consagrado seria acrescentar à caducidade do contrato a caducidade do próprio Estado de Direito.»
Teresa Ribeiro: «A partir das 18h, nesta fase do ano, o sol já está baixo. Imaginem então o que será assistir a um concerto de out jazz no Alto do Parque Eduardo VII com a luz do fim da tarde a descer sobre a cidade. Dia 17, às 18h, vai ser assim.»

Delito há 10 anos
O José António Abreu consegue escrever um texto baseado no estudo de um mapa. Algo impossível, passado distante.