
Ana Vidal: «Se vive na capital, prepare o espírito para uma festa de novos destinos emocionantes e não gaste os seus preciosos neurónios a fixar os nomes das estações, porque eles serão imprevisíveis: só durarão o tempo de um contrato.»
José António Abreu: «Não basta aumentar os impostos e cortar na despesa. Como um montão de gente já explicou, ambas as vias têm efeitos recessivos. Juntas, nem se fala. É também necessário estimular a economia. E desculpar-me-ão o cepticismo mas, por muito que Vítor Gaspar pareça acreditar no poder salvífico do capital estrangeiro, as privatizações e o fim das golden shares não terão impacte significativo.»
João Carvalho: «Para [Georges] Chicoti, há que «consolidar a democracia» e reconhecer que existem «possibilidades para todos os cidadãos apresentarem as suas opiniões»; estão previstas eleições no próximo ano e «os partidos políticos terão direito a participar nessas eleições». Convenhamos que esta condescendência em tom paternalista do ministro das Relações Exteriores é capaz de não traduzir completamente as relações interiores em Angola.»
José Maria Gui Pimentel: «A SIC fez uma emissão especial do programa “Alta Definição” sobre o 11 de Setembro. Para tal convidou Luís Costa Ribas (LCR), uma escolha sensata, visto que o jornalista cobriu o evento de perto. Embora tenha logo achado estranho o Alta Definição fazer uma reportagem daquele tipo, a verdade é que, durante 20 dos 35 minutos que durou a emissão, o entrevistador e LCR vão fazendo uma análise muito interessante àquele dia fatídico. Porém, a partir dos 20 minutos de emissão, e sem qualquer pré-aviso, o programa transfigura-se, passando ao habitual registo, com uma entrevista sentimental a LCR, na qual este fala da sua vida preenchida, da família, etc. A conversa até foi, diga-se, interessante, mas talvez fosse de inserir noutro contexto, não?»
Laura Ramos: «Pois eu, que nem sou gulosa, também não me conformo com esta derrota! Bem sei que o leitão – quantas vezes superior ao cochinillo – já levou a sua quota ao centro. Mas esta iguaria, senhores? Como é possível compará-la ao pastel de Belém? Que afinal não é de Belém, nem da Ribeira, nem do Choupal porque é uma nata, em qualquer ponto do país. Uma nata! E uma nata, convenhamos, é uma simples nata, mesmo na China.»
Leonor Barros: «Peço desculpa aos profetas da negritude, aos cavaleiros das trevas deste país à beira do abismo, aos arautos da desgraça e do apocalipse, por vir destruir esta manhã de sol com uma boa notícia mas isto é uma óptima notícia. Ler sempre. Ler mais.»
Luís M. Jorge: «Talvez esta seja uma boa altura para recordarmos a Nuno Crato que ele não foi nomeado para contestar os relatórios da OCDE sobre a educação em Portugal, mas sim para ultrapassar o desempenho do Governo anterior nas matérias da sua responsabilidade. As instituições internacionais lá estarão para o avaliarem.»
Teresa Ribeiro: «Depois de um dia de trabalho, nada como uma massagem relaxante. Mas se não houver tempo ou t€mpo para pagar a um profissional e desgraçadamente também não existir em casa um par de mãozinhas talentosas para nos aliviar a tensão, será de uma grande utilidade termos alguns conhecimentos na matéria. Falo de auto-massagem, pois. Dia 17, das 16h às 17h, podem aprender umas coisas no workshop que decorre no Jardim Amália Rodrigues.»
Eu: «Impera a ideologia de que tudo é descartável e transaccionável no mundo contemporâneo – a começar pelos afectos. Miro o folheto e fico nauseado com o sorriso radioso da moça da foto, a convicção de que se pode fazer lucro aproveitando os dramas alheios, a noção de que tudo na vida tem um preço em vil metal. Até as memórias de um amor.»
