
Ana Margarida Craveiro: «O parlamento deveria ter um corpo sólido e bem formado de funcionários independentes, que respondem às requisições dos deputados em tempo útil, participando dos trabalhos das diversas comissões. É o caso, por exemplo, da Islândia, onde o parlamento conta com economistas, juristas e cientistas políticos para auxiliar os deputados nas suas funções. Se isto custa dinheiro? Claro que sim, implica mais salários. Mas acham mesmo que os salários deste corpo independente seria mais alto que os valores pagos por pareceres e consultas externas?»
José António Abreu: «Existindo, como é absurdamente evidente para qualquer pessoa que não tenha passado os últimos anos a curtir uma longa viagem alucinogénica, recursos a rentabilizar e desperdícios a eliminar, a falta de dinheiro levará a que, em quase todos os sectores e certamente naqueles onde, pelo peso que representam, os cortes terão de ser significativos, se verifique mesmo decréscimo da quantidade e/ou da qualidade dos serviços prestados. Exactamente da mesma forma que uma família em dificuldades financeiras obrigada a cortar nas férias, mudar-se para um apartamento mais pequeno ou trocar o carro pelos transportes públicos perde qualidade de vida. É agradável? Pelo contrário: é péssimo. Mas é matemática e não uma questão ideológica.»
Leonor Barros: «Ah, as novidades! Perdoem-me esta exclamação inflamada mas eu sou rapariga que gosta de novidades, desde que não seja o Vítor Gaspar a dar-mas evidentemente. E o que vem aí é muito tentador. Mário de Carvalho, Valter Hugo Mãe que se converteu às maiúsculas, logo agora que já me tinha habituado às minúsculas e José Luís Peixoto andarão por aí a espalhar a palavra escrita aos leitores com títulos muito sugestivos, Quando o Diabo Reza, O Filho de Mil Homens e Abraço respectivamente.»
Patrícia Reis: «Tenho uma empresa há 14 anos. Sou, portanto, masoquista. Uma empresa com sete pessoas na área da comunicação e design é um puro suicídio. Nunca escapei ao fisco, até nem sei como se faz. Nunca tive um director financeiro. Não tenho dívidas ao Estado. Cortei nos salários de todos e ninguém tem subsídios de férias ou de natal. Desde 2008 que a nossa vida é complicada. Animada, é certo, mas complicada.»
Rui Rocha: «Ao contrário do que para aí se afirma, não me parece que o principal traço que define Portugal e os portugueses seja o dos brandos costumes. O reduto último da portugalidade, se existe, deve procurar-se na circunstância de só conseguirmos ser solventes quando ousamos franquear as nossas fronteiras.»
Teresa Ribeiro: «Durante os próximos dez dias vou falar disto. O que é? Um movimento de cidadania. Qual o seu objectivo? Varrer o planeta com uma onda verde. E não, não me estou a referir ao Sporting (cruzes!). Nem tão pouco a saladas tristes. O Movimento Verde Alfacinha parte de Lisboa para o mundo com um programa que não vos vai provocar o mínimo bocejo.»

a Islândia, onde o parlamento conta com economistas, juristas e cientistas políticos para auxiliar os deputados nas suas funções
Em Portugal cada deputado tem direito a um staff de quatro pessoas para o auxiliarem nas suas funções. Em vez de pertencerem ao Parlamento na sua generalidade, pertencem a cada deputado individualmente.