DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «É raro atrasar-me. Corrijo. É raro fazer esperar alguém. Quando percebo que vou atrasar-me, e isto não acontece dez minutos antes da hora mas muito antes, aviso atempadamente para que não me esperem. Sou por isso obsessivamente pontual. E deveria esquecer-me disto mais vezes: em vez de esperar por opção, dou por mim a esperar por estupidez.»

 

José António Abreu: «Reconhecendo que também há aspectos negativos em fazê-lo (diminuição da liquidez nos mercados, perda de elementos de alerta, eliminação de importantes fontes de rendimento para regiões sem grandes alternativas, etc.), sou favorável ao fim do short selling e dos off-shores. Primeiro, por razões de nivelamento do campo de jogo; depois, por dois factores que andamos a clamar serem importantes para governos falidos e cidadãos remediados e que, por conseguinte, também deviam sê-lo para empresas poderosas e cidadãos ricos: transparência e uma correspondência mais real entre as folhas de cálculo e o mundo físico.»

 

Leonor Barros: «A primeira vez que pus o pé na Praça Vermelha, senti a natural felicidade que os turistas encontram quando finalmente se vêem frente a frente com os seus objectos de amor ou de desejo. Podem ser praças, estátuas, quadros, monumentos ou pedaços seja do que for desde que no seu universo de gente inquieta funcionem com um íman que geralmente arrecadam com convicção em pedacinhos de papel brilhante ou ficheiros em cartões de memória. A Praça Vermelha funcionava como um íman. A Praça Vermelha e a Catedral de São Basílio.»

 

Patrícia Reis: «Eu não me divirto com os erros, vejo-os e tento perceber como é que surgem. Será por ignorância, por maldade, por cansaço? Talvez seja apenas a dita da falha humana. A partir de hoje agradeço a todos os que me lêem, por uma ou outra razão, que ignorem os meus erros, são decerto fruto de um acaso ou pura ignorância. E quando se é ignorante não se pede desculpa e é-se mais feliz.»

 

Teresa Ribeiro: «E que tal sacar uns cobres valentes a quem ganha fortunas nos processos de alteração do regime do uso da terra (terrenos que passam de rurais a urbanos, ou que deixam de estar interditos à construção de edifícios)?»

 

Eu: «O que levará um homem de 41 anos, na força da vida, a pegar no filho ao colo e a lançar-se com ele para uma linha férrea momentos antes da passagem de um comboio? Por mais voltas que demos, jamais conseguiremos descortinar os abismos da alma humana. «From the bottom of the pool, fixed stars / Govern a life», escreveu Sylvia Plath. Também ela namorou a morte: um dia decidiu partir para não mais voltar, numa interminável viagem ao fim da noite. Estrelas no fundo de um poço – quantas delas se cruzam connosco nos dédalos citadinos? Vocacionadas para a eternidade mas com todos os sonhos sepultados numa vastidão de pó.»

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