DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Cláudia Vicente: «A apropriação feminina deste trajar também terá que se lhe diga. Ao longo de novecentos foi encarada das mais diferentes formas: como acto lúdico, perversidade, meio de amenização da tensão de género no local de trabalho, instrumento de uniformização social, etc. Hoje, felizmente, é apenas mais uma opção, sobretudo aplicada em momentos de maior formalidade profissional. Ou não?»

 

Ana Vidal: «Já o disse por aqui numa caixa de comentários, mas parece-me importante reforçar esta ideia: sancionar, ou, de algum modo, tolerar a selvajaria gratuita dos distúrbios de Londres – como tenho visto fazer aos diletantes blasés da nossa praça, enquanto bebem tranquilamente o seu whisky de malte – é um total desrespeito por tantos outros protestos (de rua, inclusivamente) em nome de uma causa, mesmo que errada. Matar a pontapé um comerciante para lhe sacar um telemóvel topo de gama não é o mesmo, nem será jamais, que enfrentar de peito aberto um tanque de guerra na praça Tianamen. Haja decoro.»

 

José António Abreu: «Vejo milhares de pessoas nas praias trabalhando afanosamente para o bronze e não consigo deixar de pensar que esta falta de ambição nos define. Apontamos baixo. Porque não trabalhamos para o ouro ou, no mínimo, para a prata?»

 

Laura Ramos: «Pedro Passos Coelho prometera criar mais transparência no acesso a estes cargos directivos de nível superior e cumpriu, apresentando esta semana a sua proposta de novo ‘Estatuto do Pessoal Dirigente’ aos partidos políticos.  A nova medida, ao contrário de outras que em matéria idêntica a antecederam noutros governos e que primaram pela precipitação, sendo sujeitas a sucessivos reajustamentos, parece equilibrada.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Quando o Verão terminar acabará a folga. Com ele deverá finar-se o “estado de graça”. Ou, se se quiser, de “desgraça”. E também o passado recente, o qual terá de ser enterrado contra a vontade de todos aqueles que não se cansam de embalsamá-lo, por entre meias-palavras, a propósito e a despropósito, como se estivéssemos todos condenados a ser perseguidos pelo passado.»

 

Eu: «Há qualquer coisa de vampiresco nesta sede de sangue do 5 Dias. Mas tenho uma má notícia a dar aos Robespierres de pacotilha que se empolgam com os brutais actos de vandalismo no Reino Unido: quem morreu foram imigrantes asiáticos. Gente sem bancos, excluindo os bancos de jardim. Se temos de “compreender” alguém em Londres, Manchester, Liverpool e Birmingham, comecemos por compreender as vítimas desta cascata de violência, injustificável seja sob que pretexto político for. São as de sempre. Os pobres.»

2 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. «Vejo milhares de pessoas nas praias trabalhando afanosamente para o bronze e não consigo deixar de pensar que esta falta de ambição nos define. Apontamos baixo. Porque não trabalhamos para o ouro ou, no mínimo, para a prata?»

    O Estado Socialista (incluído a Direita Socialista que sempre que vai para o Governo aumenta os impostos) fica com o ouro e a prata. Melhor fazer o minimo possível ou emigrar. Fazem muito bem ir para a praia até a “Autoridade” se lembrar de taxar o Sol que recebes.

  2. O rapaz de oito anos que o Paquistão acusa de blasfémia e quer condenar a morte merecia um texto do Delito dos perigos e onde chega imbecilidade do fundamentalismo.

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