
Ana Cláudia Vicente: «A posição destes Londoners sobre o assunto, há pouco pela hora de almoço (em Clapham Junction) foi de pé, com as vassouras em riste. Uns desfazem, outros lamentam-se. Outros (re)fazem.»
Ana Margarida Craveiro: «Recordo aos odiadores profissionais que a nossa democracia representativa, até ver, ainda assenta nos partidos (como, aliás, qualquer outra democracia representativa), e que a militância num partido até é uma conquista das liberdades, e não uma aberração de sacanas sem lei. A participação social, que inclui a militância, é um pilar da sociedade democrática.»
Helena: «Mulheres e homens vivem e sentem de maneira diferente. Nada mais natural do que isso se reflicta na sua escrita. Ainda assim, custa-me a crer que todo este processo seja assim tão linear. As semelhanças e/ou diferenças poderão dever-se a múltiplos aspectos como o género literário que cada um desenvolve, a educação do autor (familiar e académica), os ambientes que o influenciam, o país, a cultura e não necessariamente o género, o sexo, ou a identidade sexual.»
João Carvalho: «O ex-ministro [António] Mendonça queria comboios e mais comboios e, no fim, ficámos com menos comboios do que havia antes.»
José António Abreu: «A destruição é atraente. Ver carros desfeitos e prédios a arder. Uau. Qualquer justificação é desnecessária, excepto a oportunidade. Subitamente, pode-se fazê-lo. Talvez não se deseje matar alguém mas não se pensa nisso. Se acontecer, acontece. E se for um polícia, nem conta. Dificilmente os polícias podem ser considerados «alguém». São o factor de risco. O acréscimo de adrenalina. Os filhos da puta e os soldados dos filhos da puta. São a justificação formal, juntamente com a sociedade de consumo, o capitalismo, a injustiça social. Não importa. O que importa é deixar marca. Destruir coisas. Ver prédios a arder e saber que se fez aquilo. Uau. Duplo uau.»
Luís M. Jorge: «Li hoje várias pessoas que protestavam contra as análises, a sociologia e as tentativas de interpretação dos motins londrinos. Faz sentido. Os nossos valentões não gostam de conversa fiada: os únicos levantamentos que um tuga compreende são os que decorrem das derrotas do Benfica ou da extinção de um feriado nacional. Para tudo o resto é preciso agir, e não filosofar.»
Rui Rocha: «Antes de dividirmos a humanidade entre esquerda e direita, importa estabelecer a fronteira entre imputáveis e inimputáveis. Com a consciência de que certos inimputáveis, por o serem, não são menos nocivos nem perigosos.»
Teresa Ribeiro: «Passo ligeira, com o balde e a pá, à procura de pontos seguros onde apoiar os olhos: lá está a falésia, onde se vê o miradouro do Jardim dos Capuchos. Se eu for direita à praia e me fixar no horizonte encontro o Bugio na perspectiva e distância de sempre. O Bugio, que durante tanto tempo imaginei ser um barco que misteriosamente não saía do mesmo sítio, agora leva-me para onde eu quero. E o mesmo me acontece com o mar. Terei sempre a cumplicidade desse mar que tão bem conheço e dos poucos recantos que não conto a ninguém…»
Eu: «Existe um blogue onde há quem considere que “a Noruega não é um exemplo de tolerância, de democracia e de respeito pelos direitos humanos”, que o recente massacre ali cometido foi “um alívio para os resistentes islâmicos, árabes, povos do médio oriente, oprimidos pelo imperialismo europeu” , e constituiu até um aviso a “quem semeia ventos”.»
