
João Carvalho: «Certo, certo é que as coisas estão a mexer, lá isso estão. Inevitavelmente: a gestão orçamental do governo cessante na primeira parte do ano dá para os profissionais do cepticismo perceberem por uma vez o desastre (habitual) que teria sido o chamado PEC 4, se algum dia fosse aprovado. Porém, tudo acaba por ter um lado bom — como que o reverso da medalha. No caso da carga que temos agora por inevitável, a contrapartida mais feliz é ter sido possível correr com o governo do “animal feroz”. Tardia, mas sempre foi uma descarga.»
José António Abreu: «No último editorial que escreveu enquanto director da Ler, Francisco José Viegasanuncia para Setembro a implementação do acordo ortográfico na revista. É pena. Mas estamos em crise. E se, por falta de opção, pode vir a existir um momento em que eu comece a comprar livros, jornais e revistas escritos segundo o acordo, esse momento não será em Setembro de 2011. Para mim e por enquanto, a decisão da Ler representa uma poupança de cinco euros por mês.»
Laura Ramos: «Cresci numa casa recheada de livros e o vício da leitura pega-se. Mas o espinho desta faceta familiar é que a certa altura os livros já não são organizáveis e não se lhes encontra o rasto. Pior do que isso, não são de ninguém… Conclusão: desenvolvi um terrível instinto de propriedade sobre eles. Aqui vão os inevitáveis: Condessa de Ségur. Enid Blyton. Os contos de Andersen. As obras da Colecção Azul (que nostalgia repentina!). Odete de Saint Maurice. Júlio Dinis. E depois (sem nunca passar por Verne…) Louise M. Alcott, Florence Barclay, Alexandre Dumas – o que eu li e reli o Visconde de Bragelonne, que completava o ‘Três Mosqueteiros’ e o ‘Vinte Anos Depois’! Perdia-me por sagas.»
Luís M. Jorge: «Isto é subtil: a Casa da Cidadania e tal. Será inteligente demais? Os palermas são todos doutores domingueiros da Lusófona e da Lusíada. Não passaram cinco anos na Faculdade de Medicina como eu. Mas fica mesmo assim, para impressionar os camaradas da Grande Loja.»
Sérgio de Almeida Correia: «Quando um poeta, escritor, tradutor, intelectual reconhecido e deputado europeu, indefectível do PSD e da coligação no poder, que é co-autor e primeiro subscritor de uma petição contra uma medida constante do programa Governo, resolve também subscrever a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra a entrada em vigor de uma medida que afecta todos os que escrevem em português, isso devia ser notícia. Pelo menos eu penso assim.»
Eu: «Ao ler a imprensa portuguesa, não vi nenhuma destas notícias desenvolvidas para além de uns banalíssimos parágrafos de circunstância. Um bom obituário, escrito com a paixão de quem gosta de narrar histórias, podia e devia fazer a diferença na imprensa diária, cada vez mais previsível e redundante. Hoje houve estas três oportunidades praticamente perdidas. E só faço a ressalva devido à talentosa veia nostálgica do Ferreira Fernandes, no DN. Excepção à regra. Mas porquê apenas esta?»
