DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Fernando Nobre não precisou que ninguém lhe desse um tiro na cabeça – nesse dramatismo de novela mexicana que era, afinal, premonitório – para morrer aos olhos de todos nós. No caso, para suicidar-se. Ele próprio agarrou na arma, encostou-a à têmpora e premiu o gatilho. E fê-lo aos poucos, lenta e dolorosamente.»

 

José António Abreu: «Na sequência de aturado estudo envolvendo complexos modelos matemáticos, uma calculadora de telemóvel, uma esferográfica Bic roubada numa repartição de finanças (única participação de fundos públicos no projecto), uma folha de papel milimétrico extraída discretamente do interior de uma papelaria (é fundamental que a iniciativa privada colabore nos projectos de investigação científica) e um cartão de débito a servir de régua, informa-se que, a manterem-se os actuais ritmos de crescimento da altura dos portugueses e dos saltos dos sapatos femininos, mais de metade das portuguesas terão de se baixar (ou descalçar) ao passar pelas portas já em 2028.»

 

Laura Ramos: «O que nos devia preocupar não é que o fisco exerça o seu papel e o cidadão se defenda, recorrendo aos meios legais que tem ao seu dispor. Estão em causa actos do quotidiano normal, eticamente neutros, contabilisticamente relevantes, em que a soberania do Estado gera uma enorme desproporção de forças entre a administração e o contribuinte. O que nos devia preocupar, sim, são os casos em que o cidadão assalta o Estado, longe dos nossos olhos tapados, quando o império da lei e da nação,  subitamente e como por milagre, desaparece.»

 

Leonor Barros: «Foi quando andava errante por esse mundo virtual fora à procura de coisa nenhuma em especial que os meus olhos aterraram em pérolas da ortografia nas caixas de comentários das edições online dos jornais portugueses e em páginas de apoio e lamentos no Facebook, rabiscos que quase me provocaram uma apoplexia, uma taquicardia súbita e a hipertensão em flecha ou deverei dizer ‘flexa’? E depois do choque inicial, ou será ‘iniçial’?, pus mãos à escrita e fui registando num caderninho virtual estas facadas certeiras nesta língua que também é a nossa Pátria.»

 

Rui Rocha: «Com o novo acordo ortográfico, os espetadores da RTP são os que assistem aos espectáculos que o canal transmite e não aqueles que espetam aos espetadores o conceito de serviço público.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Os políticos deviam começar a ser cotados em bolsa. Porque um hipócrita com poder causa mais danos à sociedade e à democracia do que um corrupto. Um corrupto despreza-se. Elimina-se. Um hipócrita serve de modelo e permite a reprodução da espécie.»

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