
Tomás Belchior: «Termos ficado sem dinheiro para manter a máquina a funcionar está a revelar-se ser uma espécie de epifania. De repente descobrimos que só no papel existem benesses universais e tendencialmente gratuitas e que a única coisa real entre o lirismo é a cavalgada furiosa da conta que pagamos anualmente em impostos. Mas mais patético do que este nosso momento de revelação só mesmo as respostas dos políticos ao estertor do Estado Social.»
Eu: «A eleição legislativa de 5 de Junho vai ser uma espécie de referendo à figura de José Sócrates, à sua capacidade governativa e ao legado dos seis anos em que esteve à frente do Executivo, quatro anos dos quais dispondo de uma confortável maioria absoluta. Haverá, obviamente, outros factores a motivar o voto, mas nenhum tão importante como a resposta a estas perguntas muito claras, muito simples e muito directas: Estamos hoje melhor ou pior do que estávamos em 2005? Quem é o principal responsável pela situação actual? Confia em José Sócrates para comandar os destinos do País? São perguntas que transformam esta eleição num plebiscito ao ciclo político iniciado em Fevereiro de 2005. Quase como se estivessem impressas no boletim de voto.»
