
Fernando Sousa: «Trocava os passos, ria, parava, dava abraços, voltava a rir-me, tropeçava, caía, debaixo de uma lua tão cheia que deixava pouco espaço ao céu. No chão, meio a dormir, desci lentamente sobre o Mar da Tranquilidade. – E SE A FRELIMO APARECE? – Endireitei-me. Sentado, com o Sebastião a segurar-me, Ali pôs-se de cócoras, tomou-me a cara entre as duas mãos, olhou para o companheiro, depois para mim, com uns olhos enormes, e disse-me: – Meu furriel, a Frelimo não vai aparecer. Posso garantir-lhe. Venha, estamos perto.»
Teresa Ribeiro: «Eu gosto de ver trailers, embora tenha consciência de que às vezes me enganam. Foi o caso do trailer de O Discurso do Rei. Vendeu-me emoção e afinal comprei tédio. Prometeu-me ritmo e lamentavelmente arrastou-se, não porque o filme seja demasiado longo, mas porque o seu argumento é demasiado curto. O Discurso do Rei limita-se à relação que se estabeleceu entre Jorge VI de Inglaterra e o seu terapeuta da fala.(…) Firth merece o Oscar, mas o Oscar que provavelmente ele vai ganhar merecia melhor filme.»
Eu: «Uma família entra em guerra contra um povo inteiro. Não hesita em virar os fuzis contra cidadãos desarmados. Perde o apoio da sua própria rede diplomática. Vê a bandeira que arriou voltar a ser hasteada nos mastros. Recebe a censura generalizada da comunidade internacional – incluindo o voto unânime do Conselho de Segurança das Nações Unidas, arriscando-se a responder perante o Tribunal de Haia por violação grosseira do direito internacional. A acção criminosa desta família que acumulou milhões ao longo de quatro décadas no poder tem a reprovação do mundo inteiro? Nem por isso. Hugo Chávez e Daniel Ortega estão solidários com ela. O que diz tudo sobre um e outro.»
