DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «O problema da sustentabilidade da segurança social é sobejamente conhecido, numa Europa envelhecida. Em alguns países, a opção foi enviar as reformas para o sistema bancário privado. Na Suíça, é obrigatório ter um PPR. As pessoas poupam ao longo da vida para garantir uma velhice tranquila. Se houver algum acidente, o Estado ajuda (aliás, essa é a melhor definição de Estado social). Para quando esta coragem aqui?»

 

Ana Vidal: «Saúdo o regresso à blogosfera do meu amigo Paulo Cunha Porto, desta vez num novo blogue colectivo e muito bem acompanhado. O tempo de pousio não lhe tirou qualidades, pelo contrário: está, como sempre, em grande forma. Tivemos duelos memoráveis, porque é frequente não concordarmos. Mas isso nunca impediu nem impedirá que eu tire o chapéu à erudição, ao requinte e à graça certeira da pena afiada do Paulo.»

 

Bandeira: «Claude [Monet] fez que sim com a cabeça. Achou-se tonto por imaginar que a mulher pudesse ter um caso com [John] Locke: demasiada diferença de idades. Depois veio-lhe à mente o que Cioran escrevera sobre como não existem mudanças de regime, apenas de polícia, mas não disse nada. Camille deu-lhe um beijo apressado e voltou para o portátil. Então ele calçou as galochas, colocou o chapéu e saiu para pintar nenúfares.»

 

Fernando Sousa: «- Vá, pá. Mexe-te! A guia?

Era Primavera e cheirava a querosene.

No chão ficava um grupo aos gritos de nem mais um soldado para as colónias, e outro, o da minha gente, que à medida que eu voava – tinham-me tirado umas asas de algodão e trocando por umas de ferro -, ia ficando mais pequeno, e mais distante, um mundinho que provavelmente nunca tinha existido.

Então um avião era aquilo!»

 

Gonçalo Correia: «O recibo “verde” perdeu, gradual e miseravelmente, a esperança legítima de independência, transformando-se numa cor mais acinzentada. Por muita vontade que tivesse no contrário, os abusos a que era sujeito tornavam o recibo refém da precariedade e consequente marginalização. O Gigante, aproveitando-se da sua força desmesurada, arrastava o recibo para uma de duas situações: ou fugia desse país metamorfoseado num abismo; ou agravaria a sua dependência eunuca de direitos face aos interesses sórdidos do Gigante e seus cúmplices.»

 

João Campos: «A Clockwork Orange (Laranja Mecânica), de Anthony Burgess, faz parte daquele grupo muito restrito de literatura de ficção científica cuja enorme popularidade – e polémica – saiu dos círculos restritos do género e se tornou numa referência – tal como 1984, de George Orwell, ou Farenheit 451, de Ray Bradbury. Para isso não terá sido de todo indiferente a adaptação cinematográfica realizada por Stanley Kubrick, em 1971 (sublime, mas lá chegaremos). Na verdade, pensar na revolta adolescente literária obriga-nos, invariavelmente, a passar por Alex, o protagonista da distopia de Burgess.»

 

Rui Rocha: «A prazo, e a nível global, a procura de profissionais qualificados será muito superior à oferta. Os primeiros sinais estão aí. Em cinco anos, a pressão será significativa. Daqui a dez anos, será dramática. O poder negocial passará a estar na mão de quem tiver qualificações. Esta é a principal questão estratégica de gestão de recursos humanos para a próxima década. A análise da situação tem assim duas vertentes: uma profunda consciência das enormes dificuldades actuais e uma esperança inquebrantável no futuro.»

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