DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Carvalho: «Salazar mandara agentes da PIDE e membros da Legião Portuguesa para o Recife: não podem actuar, mas podem ser úteis. Durante a noite daquela entrevista, alguns homens da PIDE estão já a bordo [do Santa Maria] e mantêm-se à escuta do lado de fora da porta da cabina até às tantas da madrugada. No final, quando os dois saem para comer qualquer coisa, [Dominique] Lapierre mostra receio pelo perigo de serem surpreendidos pelos agentes, mas [Henrique] Galvão tranquiliza-o com ironia: “A polícia secreta de Salazar tem horários de funcionário público.“»

 

Miguel Madeira: «Imagine o leitor que está fortemente endividado, já está naquele esquema de ter que pedir novos empréstimos para pagar os anteriores mas os bancos normais já lhe começam a negar crédito. Então aparece-lhe um banco disposto a continuar a emprestar-lhe dinheiro (a um juro maior do que cobraria a um cliente com poucas dívidas, mas menor do que a maior parte dos bancos estariam dispostos a cobrar-lhe a si); isso permite-lhe adiar a sua bancarrota? Provavelmente sim. Isso permite-lhe impedir a sua bancarrota? Provavelmente não – o leitor continuaria super-endividado, e mais cedo ou mais tarde essa dívida tornaria-se insuportável de qualquer maneira.»

 

Paulo Gorjão: «O sistema político português não necessita de partidos da oposição. O PS desempenha os dois papéis. Jorge Lacão defende a redução de 230 para 180 deputados e Francisco Assis rejeita de imediato a proposta. Noutras circunstâncias, estas divergências seriam um sinal de pluralidade e de debate interno. Nas actuais circunstâncias, as afirmações de um e de outro não passam de sinais de descoordenação e de sintomas de uma orquestra em que cada um toca a partitura que lhe apetece. Um péssimo sinal.»

 

Rui Rocha: «Dizem-me que, de acordo com o novo acordo ortográfico, os habitantes do velho Egito continuam, apesar de tudo, a ser egípcios.»

4 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. “O sistema político português não necessita de partidos da oposição. O PS desempenha os dois papéis.” Hoje, a falta que fazem

    Costa

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