
António Eça de Queiroz: «Há palavras portuguesas (ou aportuguesadas) que me irritam de duplicidade, outras que me ofendem pela sua sonoridade, outras que me assinalam o seu utilizador como um perfeito cretino – e por aí fora. Não é certamente uma fatalidade nacional, mas é aqui que vivo e é aqui que as sinto activas, saltitantes, a rabear de boca em boca, de jornal em noticiário, de político em intelectual – seja lá o que esses alargadíssimos conceitos queiram abraçar. Existem duas que se diz possuírem um significado específico mas que têm outro muito mais adequado e compreensível. Fazem parte do léxico político, mas sujeitam-se a transvases popularicados pelo jornalismo enfatuado e desnutrido e pelos seus principais attachés de presse – os analistas profissionais.»
Rui Rocha: «O inquérito da Universidade do Minho é útil para prevenir acontecimentos idênticos no futuro. Infelizmente, chego à conclusão que deveriam ter sido solicitados mais dois estudos. Um sobre o sentido da responsabilidade política e outro sobre a exigência de rigor na coisa pública. Espero que, à falta destes dois instrumentos, não cheguemos a resultados completamente medíocres.»
Eu: «A tentativa permanente de amesquinhar os adversários, a necessidade imperiosa que sente de mostrar que ainda é um “animal feroz” (expressão que se lhe colou à pele e diz muito dele), a tentação contínua que revela de confundir as funções institucionais com as de comentador político, regressando aos tempos em que fez tirocínio para secretário-geral do PS num estúdio televisivo ao lado de Santana Lopes – eis características de Sócrates na Assembleia da República, sessão após sessão. Características que contribuem para degradar a qualidade do debate político em Portugal. E depois alguns destes políticos (a começar por ele) ainda se queixam de que os cidadãos andam indiferentes à política…»
