DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «Este ano, pela primeira vez em muitos anos, não vou passar o Natal à terra (das poucas cidades portuguesas onde a neve nos pode supreender à saída da missa do galo). E não sei escrever sobre isso.»

 

Ana Vidal: «Destaque (…) para o filme magnífico que vi ontem: “Dos homens e dos deuses” (tradução literal do título francês), que relata de forma admirável a história verídica de oito frades católicos missionários na Argélia, vivendo o início do terror fundamentalista nos anos 90. Um lote superlativo de actores da velha guarda da escola do cinema europeu – Lambert Wilson, Michael Lonsdale, Olivier Rabourdin, Philippe Laudenbach, entre outros – acrescentam à realização primorosa de Xavier Beauvois uma inesquecível lição de representação.»

 

Leonor Barros: «O velho e gordo tem o péssimo hábito de ser transportado por renas, nos dias correntes, ninguém é transportado por renas, sob pena de ser processado pelas organizações de protecção dos animais e o velho adora compras, um comprador compulsivo sem comparação, outra falta reprovável particularmente em tempos de crise. O velho além de velho, gordo e comprador compulsivo tem outra característica inadmissível: a generosidade. Com tudo o resto pode viver-se. Com a generosidade não. O velho tem os dias contados.»

 

Rui Rocha: «O Governo tem andado a injectar. E prepara-se para mais umas injecções intra-venenosas. No esqueleto do BPN. Ainda não se sabe bem em que termos. Mas, é certo que mais uma vez os contribuintes vão pagá-las. Gastar mais dinheiro com este doente salvaguarda, a prazo, o interesse de 1.800 trabalhadores. E evita ao Governo o embaraço de admitir (mais) uma decisão errada. Do outro lado, estão alguns milhões de contribuintes que, enquanto tiverem rendimentos, ainda continuarão a pagar impostos. Já não deve ser por muito tempo.»

 

Teresa Ribeiro: «Há quantos meses se prolonga a campanha da Caixa Geral de Depósitos? E quantas vezes por dia passa na televisão? Não tenho nada contra a Catarina Furtado, mas confesso que já não posso ouvi-la falar de medalhas e aplausos, e etc. Oiço-a e faço contas. É uma campanha milionária. A um banco que não precisa de fazer campanhas para se promover. Um banco público. Estes cálculos irritam-me. Ultimamente quando me sinto no papel de contribuinte irrito-me com bastante facilidade.»

 

Zélia Parreira: «A minha mãe é uma mulher entristecida e eu compreendo-a, porque a vida foi injusta com ela. Cresceu à sombra dos humores da minha avó e depois dedicou toda a sua vida a ser a âncora da família, o colo onde podemos sempre voltar e a opinião em que podemos sempre confiar, sem nunca ter tempo nem oportunidade para ser ela própria. Foi com ela que aprendi quase tudo o que sou. Autodidacta, corajosa e pragmática, ensinou-nos a não baixar os braços perante a adversidade. Paciente, ensinou-nos a esperar e resistir ao desespero e à auto-comiseração. Liberal, ensinou-nos a tolerância e a solidariedade. Honesta e responsável, ensinou-nos a dignidade. Dona de um sentido de humor apuradíssimo, ensinou-nos a rir de nós próprias e das nossas vidas.»

 

Eu: «Helena André, a ministra das duas caras no governo das mil verdades, voltou a mostrar-se ao seu melhor nível. No dia 15, surgiu como porta-voz do Conselho de Ministros, anunciando aos portugueses algo que o PS se esqueceu de incluir no seu programa eleitoral sufragado em 27 de Setembro de 2009: a redução substancial, em cerca de um terço, do valor actual das indemnizações a receber por despedimento. Na altura, assegurou que as novas regras irão aplicar-se apenas aos contratos de trabalho celebrados após a entrada em vigor da nova lei. Alguma vez apanharemos esta antiga sindicalista a acertar no que diz enquanto ministra do Desemprego? Talvez, mas ainda não foi desta.»

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