
Alexandre Homem Cristo: «De pequena estratégia em pequena estratégia, o Governo e, agora, a Oposição conseguiram reduzir o debate político à gestão das mentiras, num registo de campanha eleitoral permanente que tratam de dever patriótico. Não sendo este tipo de jogos que os portugueses esperam dos seus representantes num momento tremendamente difícil, é fundamental que o PSD, como alternativa política ao Governo, abandone rapidamente este registo e se preocupe em fazer política. Os portugueses não querem um bloco central ou algo parecido, mas soluções. Algo que o PSD só poderá oferecer se apresentar um programa eleitoral forte, ambicioso e reformista que, com a legitimidade de uma vitória eleitoral, possa mudar o rumo do país.»
João Carvalho: «Um ex-responsável do património cultural da China foi executado hoje, por ter roubado e vendido relíquias pertencentes a um antigo jardim imperial. No tempo dos imperadores, a China não teria feito melhor. Pior do que dente-por-dente é o sistema judicial de Pequim: morte por roubo.»
Sérgio de Almeida Correia: «O Bloco de Esquerda elegeu nas últimas eleições autárquicas um vereador em Olhão. Entretanto, por causa de uns processos judiciais relacionados com umas empresas do dito vereador (no BE também há empresários), o BE propôs ao vereador João Pereira que abandonasse o cargo a favor do número dois da lista ou então que se mantivesse no cargo como independente. O vereador optou por se manter como independente. Em consequência, a Comissão de Coordenação Regional do Algarve do BE retirou-lhe a confiança política. Mas houve militantes que não gostaram, e logo a respectiva Concelhia resolveu apresentar uma moção de censura à Coordenadora Distrital pela “anti-democracia demonstrada” (quem diria que estas coisas dos partidos burgueses também acontecem no Bloco) e outra moção de censura por lhe ter retirado a confiança “violando os estatutos do Bloco” (ó diabo, aqui já pia mais fino).»
Eu: «No Avante!, nada de novo. Na sua mais recente edição, o órgão central dos comunistas surge em defesa dos direitos humanos no Sara Ocidental – e muito bem – mas páginas adiante lá vem a habitual condescendência com as ditaduras “amigas”, desta vez num texto abjecto do misógino de serviço, Correia da Fonseca, sobre a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. “Imagino que deve ser terrível para uma mulher, para mais senhora de boa disponibilidade financeira, não poder sair de casa para ir às compras no hipermercado mais próximo”, assinala o escriba comunista. Reduzindo a privação da liberdade da oposicionista birmanesa durante duas décadas a uma laracha machista de péssimo gosto.»
