Não jogam à bola, não protagonizam filmes de sucesso, não ambicionam influenciar ninguém nas chamadas redes sociais. São gente anónima. Mas a eles iremos dever muito. Refiro-me a todos quantos, em vários países, se têm voluntariado como cobaias humanas das vacinas experimentais que permitirão salvar milhões de vidas ameaçadas pelo novo coronavírus.
A palavra está fora de moda, mas eu emprego-a mesmo assim: heróis. Eles são heróis deste nosso tempo.

Vamos ter calma com a vacina!
Não deitemos foguetes antes da festa!
Este comentário vem a propósito de quê?
Vem do infatigável frenesim informativo nas televisões vendido por gente de fatinho — do impulso para falar e dramatizar tudo e mais alguma coisa sem saber rigorosamente nada, mas com muitos gráficos e com muita cor. Para esse espectáculo de marketing da nulidade, a pandemia é muito melhor do que o aquecimento global.
É verdade! Em todos os quadrantes da sociedade. Há os “soldados desconhecidos”, os lutadores que nunca serão cantados, e outros mais conhecidos, com motivos mais ou menos egoístas, mas que avançaram porque fazer nada não foi opção. rticle-8628109/Andrew-Lloyd-Webber-72-re ceives-experimental-coronavirus-vaccine-O xford-trial.html
Deixo aqui um exemplo.
https://www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/a
É bom dar rosto e nome a estes “soldadinhos desconhecidos”, como bem lhe chama, Maria Dulce.
Longa vida aos macacos de laboratório!
Não esqueça as macacas.
A maior parte deles não corre risco praticamente nenhum, uma vez que a covid19 não afeta a grande maior parte das pessoas.
Não afecta “guerreiros” do sofá. Porque são cobardes e põem o corpinho a bom recato.
Grande verdade
Isto acontece com todas as vacinas e medicamentos… Estes não serão mais heróis que os outros (mas sem dúvida que ultrapassam os mediáticos e em larga escala) . 🙂
E já agora um aplauso também para os heróis animais que são utilizados antes dos testes em humanos e com uma taxa de risco gigante (pareço o PAN).
Uma questão, pois desconheço os contornos da investigação, pagou-se alguma coisa a quem deu o corpo manifesto?
Abraço, Pedro
P. S. : não incluí quem se submete a tratamentos porque já está doente e não tem outra opção, mas isso é outra história.
Abraço, meu caro. E parabéns pelo texto sobre as ditaduras africanas, tão politicamente incorrecto.
Muito obrigado, Pedro 🙂
Neste caso concreto não sei, mas normalmente as pessoas que se submetem a testes farmacológicos são pagas.
Admito que sim, embora também desconheça essa questão. E será justo. Mesmo assim, uma infinidade de pessoas jamais se submeteriam a testes destes, fosse qual fosse o preço.
E merecem a atribuição do grau máximo de heroicidade, que resulta exactamente do seu anonimato.
Isso mesmo, Paulo. O soldado mais heróico é o soldado desconhecido.
NÓS POR CÁ
Entretanto a gente menor que nos governa, por incompetência ou cobardia, vai-se furtando a tomar decisões, esvaziando até ao fundo do buraco competências e deveres que cada cargo não deixa de exigir.
Uns cus de medo que para diluir responsabilidades, desde o presidente até ao 1º ministro, aturdidos pelas próprias incoerências e arbitrariedades, levam atrelados à molhada toda a sorte de pessoas, da área da saúde e não só, que se dispõe ordeiramente a fazer-lhe o frete.
Convidem também o virus, porra, e perguntem-lhe pelas férias que mete e por onde anda nas faltas ao trabalho sempre que é dispensado e que raio de vida vai andando a fazer.
Muitos desses voluntários são pagos como é sabido!
Você fazia isso se lhe pagassem quanto?
E depois da vacina aprovada!
Quantos milhões de pessoas conscientemente ou inconscientemente serão “voluntariamente” parte de uma nova realidade de experimentar uma vacina feita em tempo recorde?
Não sou contra as vacinas, muito pelo contrário, tenho é algumas reservas com esta, aliás a história da humanidade recente já teve episódios infelizes no que diz respeito a vacinas .(década de 50 e 70).
E depois é inegável o sentido de negócio desta vacina a vista de todos.
Em relação a sua questão: a resposta é não, a saúde não tem preço.
E o Pedro Correia vai tomar a vacina em 2021 ?
Rui Santos
As vacinas, pelo menos nos primeiros meses, não chegarão para todos. Deve haver prioridade a quem mais delas necessita: pessoas que integram grupos de risco.
Heroicidade verdadeira é tentar chegar a velho na Bélgica.
Heróis são também os cuidadores informais – tantos e quase ninguém dá por eles. O que se ajusta à verdadeira definição de herói.
Num país onde se legisla a torto e a direito sobre tudo e mais um par de botas, o estatuto do cuidador informal só se concretizou há poucos meses – e, mesmo assim, com imensas lacunas ainda por colmatar. cas/noticias/cuidadores-informais-o-que-d iz-a-lei-sobre-o-estatuto
https://www.deco.proteste.pt/saude/doen
Os heróis são aqueles que normalmente não aparecem nas fotos.
(e não é por estarem mortos)
Quem pratica o bem não o precisa de anunciar.
(já pareço o prior)
Ou como diria o Lannister que morreu na latrina, qualquer homem que precise de se proclamar rei não é realmente o rei.
Isso.
Nem mais!!!
O verbo voluntariar além de feio e horrível não consta da maioria dos dicionários. Em inglês existe de facto o verbo correspondente mas não estamos a escrever em inglês. Não esperava isto do Senhor Pedro Correia (tenho a ideia de que gosta, como eu, do bom português). Quem não sabe inglês e fala bem o português diz “se têm oferecido como cobaias”.
Agradeço-lhe o elegante reparo, mas discordo. Voluntariar é um verbo pronominal correspondente aos substantivos voluntário e voluntariado. Respeita a sintaxe, desde que surja associado ao pronome reflexivo (“se”, neste caso) e a etimologia. Faz todo o sentido ser usado.
O que não faz sentido é a falta de voluntariado. Muitos o apregoam, poucos o praticam.
“O que não faz sentido é a falta de voluntariado”
Por isso os voluntários são pagos, para fazer sentido.
Voluntário pago é um oxímoro.