Ainda há heróis


Pedro Correia,

Não jogam à bola, não protagonizam filmes de sucesso, não ambicionam influenciar ninguém nas chamadas redes sociais. São gente anónima. Mas a eles iremos dever muito. Refiro-me a todos quantos, em vários países, se têm voluntariado como cobaias humanas das vacinas experimentais que permitirão salvar milhões de vidas ameaçadas pelo novo coronavírus. 

A palavra está fora de moda, mas eu emprego-a mesmo assim: heróis. Eles são heróis deste nosso tempo.

34 comentários em “Ainda há heróis”

      1. Vem do infatigável frenesim informativo nas televisões vendido por gente de fatinho — do impulso para falar e dramatizar tudo e mais alguma coisa sem saber rigorosamente nada, mas com muitos gráficos e com muita cor. Para esse espectáculo de marketing da nulidade, a pandemia é muito melhor do que o aquecimento global.

  1. É verdade! Em todos os quadrantes da sociedade. Há os “soldados desconhecidos”, os lutadores que nunca serão cantados, e outros mais conhecidos, com motivos mais ou menos egoístas, mas que avançaram porque fazer nada não foi opção.
    Deixo aqui um exemplo.
    https://www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/article-8628109/Andrew-Lloyd-Webber-72-receives-experimental-coronavirus-vaccine-Oxford-trial.html

  2. A maior parte deles não corre risco praticamente nenhum, uma vez que a covid19 não afeta a grande maior parte das pessoas.

  3. Isto acontece com todas as vacinas e medicamentos… Estes não serão mais heróis que os outros (mas sem dúvida que ultrapassam os mediáticos e em larga escala) . 🙂
    E já agora um aplauso também para os heróis animais que são utilizados antes dos testes em humanos e com uma taxa de risco gigante (pareço o PAN).

    Uma questão, pois desconheço os contornos da investigação, pagou-se alguma coisa a quem deu o corpo manifesto?

    Abraço, Pedro

    P. S. : não incluí quem se submete a tratamentos porque já está doente e não tem outra opção, mas isso é outra história.

    1. Neste caso concreto não sei, mas normalmente as pessoas que se submetem a testes farmacológicos são pagas.

      1. Admito que sim, embora também desconheça essa questão. E será justo. Mesmo assim, uma infinidade de pessoas jamais se submeteriam a testes destes, fosse qual fosse o preço.

  4. NÓS POR CÁ
    Entretanto a gente menor que nos governa, por incompetência ou cobardia, vai-se furtando a tomar decisões, esvaziando até ao fundo do buraco competências e deveres que cada cargo não deixa de exigir.
    Uns cus de medo que para diluir responsabilidades, desde o presidente até ao 1º ministro, aturdidos pelas próprias incoerências e arbitrariedades, levam atrelados à molhada toda a sorte de pessoas, da área da saúde e não só, que se dispõe ordeiramente a fazer-lhe o frete.
    Convidem também o virus, porra, e perguntem-lhe pelas férias que mete e por onde anda nas faltas ao trabalho sempre que é dispensado e que raio de vida vai andando a fazer.

      1. E depois da vacina aprovada!
        Quantos milhões de pessoas conscientemente ou inconscientemente serão “voluntariamente” parte de uma nova realidade de experimentar uma vacina feita em tempo recorde?

        Não sou contra as vacinas, muito pelo contrário, tenho é algumas reservas com esta, aliás a história da humanidade recente já teve episódios infelizes no que diz respeito a vacinas .(década de 50 e 70).
        E depois é inegável o sentido de negócio desta vacina a vista de todos.

        Em relação a sua questão: a resposta é não, a saúde não tem preço.
        E o Pedro Correia vai tomar a vacina em 2021 ?

        Rui Santos

  5. Os heróis são aqueles que normalmente não aparecem nas fotos.
    (e não é por estarem mortos)
    Quem pratica o bem não o precisa de anunciar.
    (já pareço o prior)
    Ou como diria o Lannister que morreu na latrina, qualquer homem que precise de se proclamar rei não é realmente o rei.

  6. O verbo voluntariar além de feio e horrível não consta da maioria dos dicionários. Em inglês existe de facto o verbo correspondente mas não estamos a escrever em inglês. Não esperava isto do Senhor Pedro Correia (tenho a ideia de que gosta, como eu, do bom português). Quem não sabe inglês e fala bem o português diz “se têm oferecido como cobaias”.

    1. Agradeço-lhe o elegante reparo, mas discordo. Voluntariar é um verbo pronominal correspondente aos substantivos voluntário e voluntariado. Respeita a sintaxe, desde que surja associado ao pronome reflexivo (“se”, neste caso) e a etimologia. Faz todo o sentido ser usado.
      O que não faz sentido é a falta de voluntariado. Muitos o apregoam, poucos o praticam.

      1. “O que não faz sentido é a falta de voluntariado”

        Por isso os voluntários são pagos, para fazer sentido.

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