
João Carvalho: «O INE descobriu que a economia portuguesa subiu 0,4 por cento no terceiro trimestre do ano e explicou, feliz, que foi por via do «aumento expressivo das exportações». Essa felicidade é ainda maior porquanto a previsão oscilava entre uma contracção de 0,5 por cento e um crescimento de 0,3 por cento, afinal “expressivamente” ultrapassada em 0,1 por cento (pelas minhas contas). Acontece que eu não tinha má impressão sobre o INE. Mas agora, com esta surpreendente tendência para adjectivar os números e empolar as insignificâncias, fico com a ideia de que o INE está a meio caminho de se tornar mais um “expressivo” porta-voz do primeiro-ministro.»
José Manuel Faria: «A educação não pode assentar no princípio da autoridade. A sê-lo, teremos jovens instruídos, mas passivos, que aceitam com resignação as orientações da ordem estabelecida. Esta ideia encaixa completamente tanto nos jovens como em adultos. Todos aqueles que são homens ou mulheres completas não precisam de uma autoridade e só o reconhecimento da livre vontade de cada um fará da Escola a antecâmara de um futuro risonho.»
Sérgio de Almeida Correia: «Esta será mais uma inominável excentricidade do proprietário de um café. Mas talvez ajude a explicar o cheiro nauseabundo de algumas esquinas e dos acessos a alguns parques de estacionamento da cidade [Faro].»
Eu: «Pacheco Pereira, ainda confinado ao papel de intérprete da ex-ministra das Finanças, deixou tudo mais claro na emissão de ontem da Quadratura do Círculo. “É necessário encontrar uma solução de estabilidade política até às próximas eleições para que as medidas do orçamento sejam aplicadas”, declarou este antigo combatente contra o bloco central, recém-convertido aos consensos do centrão, a pretexto da “emergência” financeira. Claro que essas eleições devem decorrer o mais tarde possível, sustenta Pacheco, com idêntica clareza: “É um crime, nesta altura, estar a pensar em eleições.” Até porque “o País precisa de um certo abaixamento da conflitualidade política.” Invoca-se, para o efeito, o “interesse nacional”. Mas o que está em causa é despejar Sócrates impedindo em simultâneo que Pedro Passos Coelho ascenda à chefia do Governo.»
