DELITO há dez anos


Pedro Correia,

21523202_SMAuI.jpeg

 

André Couto: «”Turma! O trabalho de casa para hoje é a ficha formativa da n.º 23. O menino Chico Lopes, para além disto, tem de repetir cem vezes a palavra “fascista”, não vá um dia querer candidatar-se a Presidente da República.”»

 

João Carvalho: «Vereador da CDU diz que é necessário disciplinar decoração dos túmulos no Cemitério de Monchique». É certo que o executivo camarário de Monchique é socialista, mas não parece que a decoração de túmulos seja matéria inegociável. Que tal sentarem-se à mesma mesa e tentar um acordo? Em vez de andar a fazer queixinhas, aquele vereador tem de saber aproveitar a maré: embora a custo, o PS abriu a temporada dos acordos. Mas convém não esquecer a máquina fotográfica.»

 

Paulo Gorjão: «Depois de terem dado por encerradas as negociações com o PSD, o PS e o Governo abriram de novo o processo que, poucas horas depois, culminaria no acordo que amanhã irá permitir a viabilização do Orçamento do Estado. Há apenas um ponto em que os diversos observadores — jornalistas e comentadores — estão em sintonia: o acordo resulta não da vontade genuína de José Sócrates, mas sim das diversas pressões a que uma vez mais foi sujeito. A partir daqui, o consenso desmorona-se. Alguns observadores atribuem ao Presidente da República o papel principal no processo, enquanto outros destacam a influência de Angela Merkel. Quem tem razão? Qual foi a variável determinante?»

 

Eu: «Enquanto em Portugal se aposta no rotineiro e no previsível, numa corrida presidencial que volta a excluir as mulheres, aparentemente sem uma palavra de indignação das feministas de serviço, os brasileiros insistem em fazer História. Há oito anos, elegeram um operário metalúrgico e líder sindical para o Palácio do Planalto. Agora acabam de eleger uma mulher para o lugar de Lula, que abandona o poder em ombros, deixando o país com uma taxa de crescimento económico de 6,5% – o dobro da que José Sócrates prometeu para Portugal (e não cumpriu, como sabemos).»

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *