
António Pais: «Dos meus quatro avós, conheci três. Só uma (a avó materna, Odete) conheci bem. Morreu já eu era adulto e pai. Vivia numa quinta, perto de Coimbra, com duas irmãs. Durante o Liceu ia lá passar as férias. Do Natal, da Páscoa e parte das férias grandes. E era uma quinta a sério. Tinha tudo. Desde os pomares à vinha e aos animais. O leite que bebia de manhã era o das vacas, poucas, que lá havia. Vindimei e vi pisar uvas no lagar e o vinho ser guardado em pipas de madeira. O milho era malhado na eira. Possivelmente foi uma das razões que me fizeram trocar Lisboa por uma pequena vila alentejana. Vai para dois anos.»
Sérgio de Almeida Correia: «País de opereta já éramos no tempo do Eça. Continuando por este caminho não tarda e seremos figuras de uma banda desenhada com muitas seitas. Com sorte, pode ser que por essa altura, se continuarem a cavar, as notas também acabem por ser iguais às do jogo do “Monopólio” e voltemos todos à casa da partida para recebermos mais algumas. Nesse dia não haverá mais inconstitucionalidades. Comida também não. Talvez sobrem alguns princípios “intangíveis” a que nos possamos agarrar.»
