A vizinha de António Costa


Pedro Correia,

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«Noutro dia uma vizinha minha vinha de máscara e disse-me: “Então o senhor primeiro-ministro não anda de máscara?!” Eu disse: não é obrigatório. Ela disse: “Não é mas devia usar.” E eu fiquei a pensar nisso.»

 

Com esta risonha declaração aos jornalistas, António Costa desvendou o segredo do processo de decisão política no seu governo. Nomeadamente na recente intenção de tornar obrigatório o uso de máscara na generalidade dos espaços públicos ao ar livre.

A sagaz vizinha de Costa funciona como conselheira. É quanto basta. Para quê ouvir epidemologistas, virologistas e especialistas em saúde pública – entre outras sumidades da medicina – em chatíssimas  reuniões tantas vezes inconclusivas, se é possível beber sabedoria num simples encontro de vão de escada?

48 comentários em “A vizinha de António Costa”

  1. E vale votos, a vizinha (real ou não, o episódio). Mais votos decerto do que todos os epidemiologistas, virologistas e especialistas em saúde pública juntos. O povo revê-se nestas coisas, como Marcelo sabiamente tem demonstrado e usufruído. É natural que António lhe procure seguir os passos.

    Sempre é mais fácil do que ter atempadamente pronto um plano – um verdadeiro plano, não um desorientado conjunto de coisas avulsas – de Inverno para o SNS. Um plano que considere a COVID e, já agora, tudo o resto de que, na saúde, se sofre e morre.

    O povo gosta de “autoridade” (sobre os outros, é certo, mas gosta; e adora ver os outros a ser “postos na ordem”). E de ter a solução para os problemas. Mesmo que nem verdadeiramente conheça afinal o problema. Passe-se então a mão pelo seu pêlo. E fundamente-se nisso as decisões.

    Costa

    1. Quer dizer que o Costa, você o do poste, concorda que estamos presente duma pandemia covid?
      Uf!!, e eu convencido quera tudo inventado pelos chineses (marxistas, maoistas, anti-civilização ocidental e contra a iniciativa privada) para dominarem o mundo.

      1. E há outras. Uma, com periodicidade anual, chama-se gripe, parece. E já nem esboçamos um mínimo de estranheza quando dela falamos: faz parte da vida. Dizem que mata que se farta. E que a vida continua.

        O seu nome, já agora, é?

        Costa

        1. E já nem esboçamos um mínimo de estranheza quando dela falamos: faz parte da vida. Dizem que mata que se farta. E que a vida continua.

          Você ainda não percebeu que isto não é sobre a “gravidade” da Covid-19 comparando com a gripe relativamente à sua letalidade (apesar de ter uma letalidade maior do que a gripe por causa da transmissão mais rápida e de causar lesões permanentes que serão outras doenças no futuro)?

          Isto tem a ver com o carácter pandémico da doença, o que implica que um número ENORME de gente adoece com a mesma coisas ao mesmo tempo (mesmo que não morram) e que isso faz estoirar os sistemas de saúde em menos de nada — e tem uma taxa de contágio tão elevada que provavelmente faria milhares de vítimas que desta forma não serão vítimas.

          No fim pode comparar com a gripe, mas lembre-se que houve muitos milhões de contágios de Covid-19 e fatalidades relacionadas com a Covid-19 que foram evitados — enquanto que a gripe anda como quer pelo mundo quase sem resistência a não ser umas vacinas que garantem imunidade apenas durante 6 meses.

          É um problema de quantidade não de letalidade.

          1. Calma, homem. Apercebo-me de que você estaria à beira de uma apoplexia, ou pior, quando escreveu isso. Onde está, no que escrevi, que eu nego gravidade à COVID? Olhe, no que me toca, e muito egoisticamente, confesso, até ver “apenas” se limita a pôr o meu emprego, e tantos como o meu, na corda bamba desde que tudo isto começou (vá lá, ainda vou tendo sorte). Mais não fosse, isso recorda-me a cada dia que isto não é coisa menor.

            Terei sorte se não me atingir em cheio, seja na saúde seja no emprego (e tendo em conta o que faço para pagar as contas, a exigência que é posta na minha saúde e a minha idade, se a doença me tocar, e ainda que “recupere”, vejo a coisa potencialmente complicada).

            Apenas me parece que há mais doenças para lá da COVID (diabo, agora pareço certo ex-presidente). Li, já não sei onde, confesso, que as doenças oncológicas levam cerca de 70 portugueses por dia, por exemplo; mas o número em si é irrelevante; interessa que há doenças cuja gravidade, cuja simples existência, parece completamente ofuscada por esta. Uma morte por cancro, isso ou outra coisa, não é notícia; uma por COVID (cada uma, pois que as contam cuidadosamente, à unidade, numa espécie de mórbido deleite), abre há meses telejornais.

            Quanto ao mais, estaremos de acordo: não será tanto o bem estar dos cidadãos – a não ser como meio – que urge proteger, é mais a (in)capacidade do(s) SNS(s). Como há que esconder a desorientação do poder (que como sabemos nunca falha, nunca decide mal ou fora de tempo). Daí que nem sejam verdadeiramente notícia as consultas, exames, cirurgias adiadas, uma espécie de dano colateral perfeitamente aceitável, parece, e que de vez em quando, quase por entediante obrigação, lá é referido nos noticiários.

            Costa

      2. Já agora, disso dos chineses a História, com os dados e o distanciamento que por agora não se tem (uma invenção, definitivamente não foi; mas concordará que se alguma potência por estes dias beneficia do estado actual das coisas, será essa. Terá até tido as suas razões, enfim, para estabelecer no início de tudo isto restrições à circulação interna, mantendo intocada a externa), decidirá.

        E não afastaria sem mais nenhum dos qualificativos que elenca no seu comentário. Com uma excepção: parece que por lá a iniciativa privada até está muito bem, desde que devidamente submissa aos ditames do partido. Enfim, uma espécie de sincretismo ideológico.

        Costa

  2. Boa tarde Pedro Correia
    Nos vãos de escada encontram-se por certo pessoas das mais variadas classes sociais e, pelos vistos também, pessoas sem vergonha nenhuma de ser frontais e pessoas sem vergonha nenhuma na cara.
    Saúde. António Cabral

  3. Para quê ouvir epidemologistas, virologistas e especialistas em saúde pública

    De facto, basta ouvir a Ordem dos Médicos. Ela também aconselha o uso de máscara. (E a Ordem dos Médicos é insuspeitamente afeta ao PSD.)

    1. Nada como um anónimo para meter clubite partidária ao barulho.
      E afinal para concluir como eu: para quê o PM ouvir os chatos dos especialistas se basta ouvir o que lhe diz a vizinha, como o próprio fez questão de deixar claro junto da comunicação social?

  4. Quando eu digo que isto é uma pseudo pandemia você graceja e diz que eu estou na treta.
    Agora que está provado que o estudo científico é da vizinha do Costa sempre quero ver o que é que me vai dizer.

          1. Como os verdadeiros leões estão no jardim zoológico, pensei que as cópias andassem lá perto.

  5. Em tempos tive uma vizinha que até sabia coisas sobre a minha vida que eu desconhecia :), logo nunca desprezar o infinito conhecimento das vizinhas – Parabéns por mais um magnífico post e uma excelente semana

    Pedro Cunha

  6. Não é apenas a “sagaz vizinha” que “funciona como conselheira”, do alto da sua sabedoria alimentada em crenças.

    Também outros, nomeadamente netos, servem de conselheiros e consultores das mais altas instâncias.

    «”Uso máscara, isso é uma ideia que me veio até um bocadinho daquilo que os meus netos me contaram que foi a lição da China. A China tem outra tradição de utilização de máscaras”, disse o Presidente da República.»

    https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/coronavirus-marcelo-sai-uma-vez-por-semana-usa-mascara-nas-compras-e-passa-pascoa-em-belem

    A tradição já vem de longe. Uma tradição popular de muita televisão vista, de muita investigação científica do sexo dos anjos e da coscuvilhice endémica, sempre publicada nos vários jornais da paróquia.

    Está lá todo o fundamento científico próprio de intelectualidades balofas. Balofas, mas não tanto que os seus intelectos reunidos não coubessem numa cabeça de alfinete, deixando ainda espaço para a matiné da inépcia.

      1. Esse mesmo, mas isso palpita-me que foi mais a pedido do que outra coisa. Foi mais um empurrar com a barriga em que o indivíduo é useiro e vezeiro para não ter de dar o braço a torcer. Típico dos tiranetes.

        1. De um fulano que mantém há décadas sequestrada uma águia a que deram o nome de Vitória é de esperar tudo.
          Com o silêncio cúmplice e conivente dos ambientalistas de turno e do directório do PAN, que assobia para o lado.

  7. Ainda sou do tempo em que a Porteira do prédio era uma reconhecida sumidade nos mais variados assuntos. Portanto, não vou desprezar a sapiência da Vizinha quanto a assuntos de gestão de pandemia.
    A Vizinha não só está dentro da corrente da OMS quanto ao uso da máscara, como ainda defende a medida voluntária espontaneamente obrigatória.

    1. Mas a porteira, em Março, defendia o contrário: dizia que a máscara dava “uma falsa sensação de segurança”.
      Ela e a doutora Graça Freitas, directora-geral da Saúde.

  8. Vox populi, vox Dei.

    A sabedoria das vizinhas é quase eterna.

    Diz a Bíblia: “Vale mais uma vizinha ao pé da porta do que um familiar numa terra distante”.

    Bem faz o Dr. António Costa em dar ouvidos às suas amáveis vizinhas…

    Por palavras outras: À mulher de César não basta sê-lo, tem de parecê-lo.

    Por isso, Srs. Governantes: Nunca esqueçam a útil máscara em casa!

  9. Está aberta a caça as bruxas, quem não tiver mascara não vai para fogueira, porque deixa de dar rendimento, paga antes uma multa

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