
Ana Vidal: «Não sei o que me dá mais vontade de rir: se a negativa escandalizada e quase ofendida de Ricardo Salgado à pergunta de um repórter “Estão aqui para fazer pressão sobre Passos Coelho?”, se o facto de ouvi-lo referir-se aos outros banqueiros da inocentíssima embaixada como “colegas”, como se fossem todos escriturários da função pública ou meninos de escola em visita de estudo. Ele e os colegas foram “em busca de esclarecimento”, explica, numa voz mais aveludada do que um creme de cogumelos, e “confiam inteiramente nos políticos portugueses” para uma decisão sábia e justa. Pois claro. Mas alguém tinha dúvidas?»
João Lisboa: «Constituída por 69 notáveis (“número curioso”, diria Mota Amaral), Belzebu é o chefe supremo e fundador da Ordem da Mosca; Satanaz é o líder do partido da oposição; Baalberith, o mestre das alianças; Nergal, o chefe da polícia secreta; Astharot, ministro das finanças, Baal, comandante-em-chefe dos exércitos, e por aí fora, numa extensa lista de embaixadores, juízes, chefes de cozinha, grandes escanções, mestres de cerimónias, chefes dos eunucos, directores de espectáculos e superintendentes das casas de jogo, onde nem sequer falta Nybbas, “grande parasita, vigarista e charlatão”. Afinal, vendo bem, tudo pessoal conhecido.»
Sérgio de Almeida Correia: «Durante muito anos reclamou-se contra a falta de disponibilização gratuita do Diário da República. O anterior Governo de José Sócrates conseguiu esse pequeno feito, afinal tão fácil, de tornar as leis publicadas no jornal oficial acessíveis a todos. Eu pensei que isso seria suficiente para que a legislação ficasse mais transparente, fosse mais cuidada, já que poderia obrigar a um maior esforço do legislador no sentido de se aperfeiçoar. Verifiquei hoje que estava enganado.»
Eu: «Liu Xiaobo, o novo Prémio Nobel da Paz, foi detido e condenado a 11 anos de prisão simplesmente por ter sido um dos autores deste documento que defende os direitos humanos na China. Não andou a pôr bombas em transportes públicos, não disparou contra ninguém nem sequer partiu nenhuma montra à pedrada, como aqueles jovens “radicais” gregos tão idolatrados pela extrema-esquerda blogosférica. Um intelectual injustamente encarcerado numa ditadura por exprimir ideias de modo pacífico devia merecer a solidariedade de um partido como o PCP, que no seu hino diz defender “uma terra sem amos”. Mas não: o partido de Jerónimo de Sousa, Francisco Lopes, José Casanova, Albano Nunes, Bernardino Soares e – lamento, mas é um facto – também de Carlos Carvalhas, António Filipe, Honório Novo e Octávio Teixeira não se solidariza com a vítima, mas com o injusto aparelho judicial chinês e o seu poderoso amo, o Partido Comunista.»
