
André Couto: «Mário Vargas Llosa, Prémio Nobel de Literatura 2010. Este ano a Academia abandonou a postura de Ídolos da literatura mundial, dando a conhecer talentos até então quase desconhecidos, consagrando com toda a justiça um escritor já largamente admirado e premiado. Para além da obra, um dos expoentes máximos da riquíssima literatura latino-americana, fica igualmente na retina a homenagem ao político, ao Homem dedicado às causas sociais e da liberdade no Peru.»
Ana Margarida Craveiro: «Santos Silva, na versão ministro da Defesa, anunciou a compra de aviões para patrulhamento da zona costeira. Falou de zona económica exclusiva e soberania nacional, e da necessidade de garantir ambas. Uma semana antes, estava sentado ao lado de um PM que berrava contra submarinos comprados para exercer exactamente a mesma função. Já o escrevi antes, e repito: a questão do mar implica uma decisão política, num cenário de escolhas limitadas por recursos escassos. Se optamos pelo mar, então assumimos os custos da decisão. Defender uma das maiores zonas económicas marítimas do mundo implica recursos e consenso político. Esta descoordenação absoluta é só tonta, e mais um caso de possível desperdício de recursos. Não podemos ter um ministro da Defesa a avançar num sentido, contra um PM à toa.»
Fernanda Candeias: «Neste bar de hotel, encontramos Esteban entregue à árdua tarefa da espera. Mais do que observar atentamente, ele já só espera um fim. Alto, algo curvado, não consegue abandonar aquele semblante preocupado, apesar de ensaiar ao espelho, poses e expressões de tantos homens que por ali já tinham passado. Desenvolveu, com naturalidade, o talento de muito fazer em pouco tempo. Na verdade, a sua principal aptidão consiste em preparar um copo de uma qualquer bebida enquanto parece vigiar a entrada do bar. Pode fechar os olhos, durante uns segundos e ter a certeza de que ao abrir as pálpebras, alguém entrará por aquela porta.»
João Carvalho: «Enquanto o ministro Teixeira dos Santos tenta encaixar nas contas a compra de dois submarinos novos por mil milhões de euros, o ministro Santos Silva anuncia a compra de cinco aviões em segunda mão por 200 milhões de euros para executar missões de luta anti-submarina. Acho aconselhável que os submarinos venham equipados com armas anti-aéreas. Só por causa das coisas. Porque cheira-me que isto ainda vai acabar tudo aos tiros e era chato que uns aviõesinhos baratuchos dessem cabo de submarinos novinhos em folha.»
Eu: «Haja ou não orçamento, José Sócrates prossegue em campanha eleitoral acelerada – algo que nunca deixou de fazer desde Fevereiro de 2005. Agora até já inaugura igrejas, para comemorar o centenário da república, cheio de “alegria e luz no coração”. Vale tudo para tentar cair nas boas graças dos portugueses. Com o objectivo de sacar votos, ao mesmo ritmo a que saca dinheiro aos contribuintes, ele era até capaz de se tornar diácono e gravar um disco em dueto com o padre Borga. A irmandade laicista que o tem apoiado devotamente aprecia com certeza este zelo apostólico do presidente do Conselho de Ministros, benza-o Deus.»
