
Adolfo Mesquita Nunes: «Tenho vindo a descrever aquela que, na minha opinião, foi a estratégia seguida por José Sócrates para amarrar o Presidente da República ao seu Orçamento e para, obrigando o PSD a viabilizá-lo, esvaziar o PSD de algum capital de oposição. São dois os pontos centrais dessa estratégia: o primeiro diz respeito à dramatização de Sócrates a propósito da sua demissão em caso de não aprovação do Orçamento, destinada a pressionar Cavaco a tomar o Orçamento como seu; o segundo diz respeito à mentira contada por José Sócrates a Passos Coelho de que não estava disposto a tomar medidas de austeridade, destinada a provocar em Passos Coelho uma reacção exaltada e veemente o suficiente para, em caso de viabilização por pressão presidencial, enfraquecer o líder do PSD.»
João Carvalho: «Foram resolvidos os problemas dos homossexuais. Estão bem encaminhados os problemas dos transexuais. Somos nós agora? Quando é que o PS se dedica a solucionar os problemas dos heterossexuais? Excesso de impostos, quebra do poder de compra, desemprego, fome, frio… Tudo coisas simples e lineares, tal como nós somos. Quando?»
Paulo Gorjão: «Vai um pacto de regime? Os candidatos à Presidência da República aceitam gastar apenas 1 milhão de euros — i.e. cerca de um quinto da subvenção estatal a que têm direito — na próxima campanha eleitoral?»
Pedro Coimbra: «Os tempos que se avizinham serão fertéis em novidades [em Macau]. Que se começam a vislumbrar, mas que se tornarão um pouco mais claras depois da apresentação das Linhas de Acção Governativa no próximo mês de Novembro. Em bom rigor, as primeiras realmente preparadas por este Executivo. O desenvolvimento da quarta transição, a ter lugar no ano de 2011, promete ser dos mais interessantes de acompanhar.»
Eu: «Hugo Chávez em directo, ao vivo e a cores: uma jornalista que lhe faz uma pergunta incómoda numa conferência de imprensa é “ignorante” e “vive na lua”. No caso, foi a jornalista Angelina Flores, correspondente em Caracas da Rádio França Internacional e da emissora RCN, da Colômbia. A pergunta foi esta: “Como se explica que com uma diferença de só 100 mil votos [em mais de 15 milhões], a oposição tenha obtido menos 37 deputados [33 após o apuramento dos resultados finais, 65 contra 98 num Parlamento de 165 deputados] do que o oficialismo [chavista]?” A jornalista ficou sem resposta após a longa arenga do Presidente, incapaz de explicar como as recentes alterações à lei eleitoral venezuelana fizeram aumentar a correspondência entre votos e mandatos apenas nas zonas do país onde Chávez recebe mais apoio.»

Quer-me parecer que o Paulo que está lá em cima não é bem o Paulo que escreveu o texto original…
Eheh. Há dez anos recebemos muitos convidados especiais (Rita Ferro, Bruno Vieira Amaral, Manuel S. Fonseca, Rodrigo Moita de Deus, Maria João Marques, Bernardo Pires de Lima, Ana Cristina Leonardo, Henrique Raposo…), mas não o doutor Rangel, que até foi um bloguista de reconhecida acutilância e comprovado mérito.
A pergunta da jornalista Angelina Flores deveria ser feita noutros países, como o Reino Unido ou a França ou os Estados Unidos, que também apresentam uma grosseira falta de proporcionalidade entre os votos e os eleitos.