DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Luísa: «A minha irmã defende, desde há muito, a tese de que o homem é um boneco, uma espécie de marioneta comandada pelo grande cordão da sua herança genética e pelos cordões mais ou menos estreitos da educação familiar e social. Ou seja, que o homem não tem, verdadeiramente, qualquer liberdade na sua acção, na medida em que a “massa” de que é feito o força, em cada específico contexto, à reacção ou resposta que apresenta. Não se trata, aqui, de dar suporte aos que consideram que a culpa dos crimes de um criminoso é da sociedade que não soube integrá-lo no seu seio. Trata-se, sim, – se bem entendo – de, sem desresponsabilizar o criminoso pelos seus crimes, compreender que esse mesmo criminoso nunca deixaria, por imperativos da sua própria natureza íntima, de os praticar, as circunstâncias propícias sobrevindo.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Durante anos resguardado da incidência directa das luzes, na sombra do partido, de Ângelo Correia ou de uma empresa, tomando cafés em bairros da periferia, Passos Coelho conseguiu ser político profissional, estudar, fazer uma “carreira” e disputar a liderança nos congressos do PSD até sair vencedor. Pelo caminho preparou-se para ser primeiro-ministro. Já o ouvi sublinhar. E por esta ordem. O que não será muito normal, apesar de haver quem considere isso mais meritório do que andar a assinar papéis na Câmara de Castelo Branco.»

 

Eu: «Os programadores televisivos portugueses – e já não falo dos nossos exibidores cinematográficos, pois essa é uma guerra há muito perdida – só podem andar muito distraídos. Se não andassem, já teríamos certamente visto num dos canais de TV em sinal aberto a reposição dessa obra-prima do cinema que é O Grande Carnaval (The Big Carnival), de Billy Wilder. Vem mesmo a propósito dessa história fascinante, que o mundo por estes dias acompanha com atenção, dos 33 mineiros chilenos soterrados a 700 metros de profundidade, no deserto do Atacama. Algo nesta história me faz lembrar irresistivelmente o enredo do filme de Wilder, que tem Kirk Douglas como protagonista. Também no filme um homem fica soterrado no subsolo, vivendo dias de profunda ansiedade na expectativa de ser socorrido. E também esse acontecimento, algures num lugarejo perdido do Novo México, ganha repercussão nacional.»

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