DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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José Simões: «Nós é que mandamos no Estado, assim uma espécie de Luís XIV alargado e democratizado: o Estado somos nós. E esta é a pior frente de incêndio, a da submissão e do medo respeitoso, e que consome há muuuuuitos anos  a alma deste povo com várias frentes conjugadas numa só, e que aproveita aqueles que a pretexto da rentabilização económica e da creação (assim mesmo, com “e”) de riqueza e da segurança das populações e das aldeias ensaiam um fast forward a uma espécie de feudalismo século XXI.»

 

Teresa Ribeiro: «Armado em Deus, o tarado do Kevin Spacey decide punir, um a um, os sete pecados mortais. Mas neste enredo macabro ele também não se exclui e dispõe-se a pagar por isso. Qual o pecado de que se acusa?»

 

Eu: «– Esta é a sua primeira entrevista como candidato à Presidência. Pretendemos saber um pouco mais a seu respeito.

– Boa noite. Portanto os trabalhadores portanto explorados portanto por este governo de direita. Nós defendemos…

– Não pretendíamos falar muito de política. Para já, só queríamos saber um pouco de si.

– Defendemos a mudança da política portanto contra o governo de direita portanto que explora os trabalhadores. (…)

– Não lê romances?

– O PS é igual ao PSD portanto e ao CDS na política de direita portanto contra os trabalhadores…

– Desculpe, não me respondeu. Costuma ler romances?

– Hum… Já li romances de José Saramago e Álvaro Cunhal nós pretendemos…

– Mas só lê autores comunistas?

– Uma candidatura portanto que esteja mesmo ao serviço dos trabalhadores…

– Desculpe, mas não me respondeu. Só lê autores que sejam comunistas?

– Hum… Também já li portanto autores de outras tendências mas nós portanto lançámos esta candidatura para que o povo português portanto esteja representado na Presidência da República…

– Para finalizar: a Coreia do Norte é uma democracia?

– Os trabalhadores… contra o governo de direita… nós… portanto… portanto… portanto… portanto…»

2 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. Muito bem, Pedro, mas, portanto, estamos a falar, portanto, de quem?
    Não que eu, portanto, seja muito curiosa… no entanto e portanto, gostava de saber…
    🍁
    Maria

    1. O candidato escolhido há dez anos para representar o PCP na eleição presidencial de 2011. Um funcionário do partido desde 1974 que declarava ser “electricista” de profissão embora não mudasse sequer uma lâmpada nos 35 anos anteriores.
      Um tal Francisco Lopes. Tão desconhecido hoje como já era então. O PCP vive num mundo de ficção no qual já nem os próprios militantes acreditam.

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