
João Carvalho: «Em 2013, haverá uma linha de alta velocidade Poceirão–Madrid, que servirá também para mercadorias.» Estas palavras foram proferidas hoje pelo primeiro-ministro. Já não me lembro qual tinha sido a última versão e também ficou por se saber como é que a obra irá ser paga, mas agora varreram-se quaisquer dúvidas, porque a frase foi claríssima. Mais a mais, quem fez a afirmação foi o próprio José Sócrates. Portanto, pode dar-se como certo que a linha não será para mercadorias, não será Poceirão–Madrid e não será de alta velocidade. Nem será em 2013.»
Luís M. Jorge: «Segundo o Google Reader, este post foi publicado por mim às nove e quarenta e três de segunda-feira. Este, foi publicado pelo Miguel Abrantes às nove e cinquenta e nove do mesmo dia. Gosto muito de colaborar com os assessores do senhor primeiro-ministro.»
Eu: «Quais as empresas que “não estamos dispostos a ceder”? Serão a TAP, a ANA, a EDP, a GALP, a CP e os CTT, que o Governo quer privatizar rapidamente e em força? Será a Vivo brasileira, que suscitou o recente conflito entre a PT e a Telefónica espanhola, agravado com a interferência de Sócrates? O regresso ao nacionalismo económico num mundo globalizado é um sinal de “progresso”? A hipotética reabertura dos postos alfandegários em Quintanilha, Vilar Formoso e Vila Verde de Ficalho significaria “progresso”? E o que sucederá enfim aos interesses empresariais portugueses e espanhóis se o Presidente Lula – rendido à receita de Freitas ‘Krugman’ do Amaral – anunciar a nacionalização da Vivo? Regressamos orgulhosamente sós ao doce cantinho peninsular, como nos tempos de Salazar e Franco, a dedilhar guitarras e a tocar castanholas?»

Corajosa lembrança de um dos capítulos mais negros da nossa História. Refiro-me às “privatizações” ao desbarato de empresas estratégicas, que operavam em monopólio natural. As aspas prendem-se com o facto de a REN e EDP, críticas para o crescimento económico nacional, terem sido nacionalizadas pelo Estado chinês. Aliás, veja-se como estão hoje os CTT, a TAP (que deveria ter falido) e a EDP.
O argumentário socialista, apostando na desmemória colectiva, acusa por sistema o “tenebroso Passos Coelho” de ter sido o campeão das privatizações. Acontece que a quase totalidade das privatizações – várias das quais concretizadas por imposição dos credores internacionais de Portugal, quando nos foi concedido o mega-empréstimo de 78 mil milhões de euros, em Abril de 2011 – já estavam previstas em programas eleitorais e programas de governo do PS, de Guterres a Sócrates.
Como aqui se comprova.