
Ana Vidal: «Alguém já viu as notícias de hoje, que me possa informar? Enfim, depois da descrição exaustiva da primeira noite da selecção na África do Sul, que deve ter sido a notícia de abertura de todos os jornais, o que há de novo? Nada? Nadinha?? De certeza???»
João Carvalho: «Estou inocente e a Lusa quer denegrir-me. Confesso que os Carvalhos não gostam dos Sobreiros (que ainda são nossos primos), mas isso são problemas familiares antigos. Nunca conheci de perto qualquer Sobreiro, excepto aquele que ajudou o Amorim a subir na vida, nunca abati um Sobreiro ou outro membro da família, a única Benavente que conheço é a ex-candidata ao Porto e o único Espírito Santo que conheço é o de orelha, que a Lusa até conhece melhor do que eu por emprenhar pelos ouvidos.»
Leonor Barros: «Por este andar ainda nos restringem as viagens ao estrangeiro, o Infante Dom Henrique acabará esconjurado por ter tido a veleidade de se aventurar mares afora ou adentro, mais os navegadores todinhos, e os poetas naturalmente, que o Camões não se satisfez aqui pelo burgo e o Pessoa, que eram logo aos quatro ou mais, também já tinha andado lá pela África do Sul. Cambada de desvairados. Isso faz-se à pátria, seus ímpios?»
Sérgio de Almeida Correia: «Na Alemanha, a senhora Merkel decidiu aumentar a tributação sobre os bancos e a homóloga alemã da EDP. E por cá? Não se passa nada? O Dr. Paulo Portas deve andar embevecido com a sombra que os sobreiros produzem no auge da crise para ainda não ter dito nada sobre isto. Está visto que o rendimento mínimo e a retroactividade fiscal andam a limitar-lhe as qualidades.»
Eu: «Rosyln Taber (Marilyn Monroe), desencantada da vida, interessou-se pelo único homem que, sabendo ver para além das aparências, percebeu que ela era infeliz. Percebemos isso num sublime diálogo que marca Os Inadaptados (The Misfits), obra-prima de John Huston e um dos grandes filmes dos anos 60. “És a mulher mais triste que conheço”, diz-lhe ele. “És o único homem que não me diz que sou feliz”, espanta-se ela. Rendida à argúcia daquele anacrónico cowboy que faz do deserto do Nevada o seu lar iluminado por estrelas “tão longínquas que podem estar já mortas no instante em que olhamos para elas”. É ficção, claro. Mas podemos vislumbrar em tudo isto uma alegoria da própria Marilyn na fase crepuscular da sua carreira que culminaria pouco depois no mais mediático suicídio da história do cinema.»
