DELITO há dez anos


Pedro Correia,

21523202_SMAuI.jpeg

 

Bandeira: «Procuro em ROM ROM-EST um livro de Gracq, Julien que o Sistema Informático jura disponível. Como o faceto leitor provavelmente imagina, não sou capaz de dar com ele. Uma vez que a namorada não está aqui e eu, como de costume, me sinto meio perdido, peço ajuda à funcionária. Não me vêm sentimentos de culpa porque o livro é para ela, a namorada, bem entendido, e de qualquer modo não existe química entre nós, eu e a funcionária, bem entendido, não que ela seja desinteressante, bem entendido, sei lá se é, eu nem reparei, ok?»

 

João Campos: «Diria que Serenity, o filme-sequela à série televisiva Firefly (cancelada antes de a primeira temporada terminar), é o melhor filme de ficção científica da década. Mais: é a prova de que um filme de ficção científica não tem necessariamente de ter grandes efeitos especiais, ou um enredo complexo e obscuro, para ser um excelente filme. E, se é verdade que a componente visual de Serenity nem é má (bem pelo contrário; é bastante boa), o seu ponto forte reside mesmo num argumento simples, mas sólido e muito bem escrito.»

 

João Carvalho: «Em vésperas de Bruxelas dizer ao governo de Lisboa que o PEC é insuficiente, talvez em vésperas de nova ida do governo ao Parlamento, estou convencido de que o governo há-de manifestar-se, talvez até volte a mostrar-se. Porque a verdade é esta: o governo desapareceu há já umas semanas. Nem um ministro, nem uma declaração, nem um acto de marketing político. Nada. O governo está desaparecido, como se confirma pela foto mais recente que quiseram tirar-lhe. O fotógrafo estava lá, mas o governo não. Não é que faça muita falta. É apenas porque faz muita despesa.»

 

Luís M. Jorge: «Vi há pouco a entrevista de Passos Coelho a Sousa Tavares. Afinal o homem tem uma estratégia para Portugal, e é fácil resumi-la:

  1. Tirar ao Estado para dar aos ricos.
  2. Tirar aos empregados para dar aos patrões.

O apelo aos impostos indirectos e ao controlo das prestações sociais, uma outra forma de esclavagismo, será acolhido com o atraso do costume pelo país exangue. Sócrates, em campanha, vai defender os pobrezinhos. Queriam uma alternativa? Embrulhem.»

 

Eu: «Meia estação em Maiorca: nada das enchentes estivais. Circula-se à vontade em Palma, há lugar a qualquer hora em qualquer restaurante, os preços são convidativos: este é o lado bom da crise. Contemplo a belíssima baía da varanda do meu hotel, em Porto Pí: estou no alto de uma encosta, o panorama é soberbo. Paquetes de cruzeiros atracados no porto, largas dezenas de iates na marina, uns veleiros cruzando o horizonte. A televisão informa-me: prossegue o mau tempo na generalidade da Europa. Nada que afecte este reduto mediterrânico, soalheiro e já com temperaturas superiores a 20 graus. Turistas banham-se na piscina: ninguém diria que há dois meses a cidade onde os reis de Espanha têm a residência de férias chegou a estar coberta de neve.»

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *