DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Hoje de manhã, no café. Diálogo de um casal, dividido entre a bica e as capas das revistas penduradas atrás do balcão:

– Já me viste aquilo do Pinto da Costa com as brasileiras?

– Já. O homem é de força! Depois de casar outra vez e tudo… coitada da Filomena.

– É para dares valor ao homem que tens. Nunca há-des passar por essa vergonha, vês?

– Pois não. Mas também nunca vou ter um Austin-Martin…»

 

João Campos: «Se o tema das viagens no tempo foi abordado, em Back to the Future, pela via da comédia, em Twelve Monkeys o tom escolhido (por Terry Gilliam; sim, dos Monty Python) foi o do thriller. O resultado é um filme fabuloso, e surpreendentemente esquecido. Situando-se num futuro apocalíptico, no qual a humanidade foi dizimada e obrigada a refugiar-se no subsolo por um misterioso vírus mortal, um criminoso (James Cole) é enviado para o passado, na esperança de que consiga encontrar uma amostra do vírus.»

 

João Carvalho: «Académico e intelectual açoriano, poeta e romancista, autor do galardoado Mau Tempo no Canal e inesquecível comunicador popularizado pelo seu programa na RTP Se bem me lembro (1969/75), [Vitorino Nemésio] morreu em Lisboa com 77 anos e está sepultado em Coimbra, por vontade própria. Pela mesma vontade, o seu enterro não se fez ao dobre de finados, mas sim ao som do Aleluia. Surpreendente e desconcertante no fim da vida, como ele sempre tinha sido.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A candidatura de um campo de golfe inexistente à Ryder Cup, patrocinada pelo ex-ministro Manuel Pinho, que antes deu uma “mãozinha” ao programa “Allgarve”, deverá ser objecto de escrutínio público, quer pelos largos milhões envolvidos, quer pelos interesses subjacentes à escolha da Comporta. O país já tem demasiados elefantes brancos e normalmente quem paga por eles acabam por ser os contribuintes. A não ser que desta vez tenham mesmo descoberto petróleo na península de Tróia e ninguém queira confirmar o facto por causa do PEC.»

 

Eu: «A agência Lusa apressou-se, no início do ano, a “unificar” a ortografia ao abrigo do acordo que faz tábua rasa da etimologia em benefício da “clarificação” da escrita no nosso idioma, como sustentam os seus doutos promotores. Acto passou a ato, afecto passou a afeto – e por aí fora. Presumo que mictório continua a escrever-se desta forma, segundo o novo livro de estilo da agência, que só suprime as consoantes supostamente mudas (continuando no entanto a escrever hino, hoje e hossana, apesar de não haver consoante mais muda do que o H).»

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