
João Carvalho: «O primeiro-ministro foi inaugurar uma escola à Póvoa de Varzim e outra a Vila Nova de Gaia. Um exagero, a sugerir que não tem grande coisa que fazer. Atirou-se a quem critica os investimentos públicos e frisou que investir em escolas é contribuir para a educação. Outro exagero, porque escolas não são autoestradas às moscas. Disse que a actual requalificação de cem escolas representa uma oferta de dez mil empregos. Deve ser um exagero, essa média de cem empregos por escola em obras. Acrescentou que as obras em curso nas tais cem escolas envolvem 2700 empresas. Parece mais um exagero, essa média de 27 empresas a trabalhar na requalificação de cada escola.»
Paulo Gorjão: «Confesso desde já a minha completa incapacidade para perceber o timing do anúncio de Manuel Alegre quanto à sua disponibilidade para se candidatar à Presidência da República. A minha limitação deve-se em larga medida ao facto de não conseguir vislumbrar qualquer ganho ou vantagem.»
Teresa Ribeiro: «Mesmo o casamento – cuja legalização não contesto – é um assunto polémico entre os homossexuais. Há quem considere esse mimetismo dos modelos hetero um absurdo. Lembro-me que há muitos anos o poeta Al Berto, que infelizmente já não está entre nós, expressou essa perplexidade num programa que a televisão dedicou ao assunto. Dizia ele que o desejo de identificação com os modelos heterossexuais entrava em flagrante contradição com a assumpção e afirmação da diferença. Pergunto-me se hoje seria possível ouvir nos media o mesmo tipo de discurso por parte de um homossexual assumido. As vozes dissidentes agora piam baixinho.»

Mesmo o casamento – cuja legalização não contesto – é um assunto polémico entre os homossexuais. Há quem considere esse mimetismo dos modelos hetero um absurdo.
Disparate. Ninguém, nem homossexual nem heterossexual, é forçado a casar-se. O casamento é apenas uma possibilidade que os homossexuais têm, tal e qual como os heterossexuais. Quem (seja homossexual ou heterossexual) não quiser mimetizar, não mimetiza.
“Quem (seja homossexual ou heterossexual) não quiser mimetizar, não mimetiza.”
Pois, mas o que me mete impressão é que haja tantos homossexuais a querer imitar o que os heterossexuais fazem. Até nas cerimónias. Porquê? Para que querem um papel dos Estado a dizer que são casados?