DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Carvalho: «Armando Vara diz que quer “esclarecer tudo”, mas só se houver “condições para o fazer”, pois não sabe “o que vai acontecer” no interrogatório, nem se terá “acesso” à matéria probatória. O que ele quer é responder a questões “concretas” e conhecer o que realmente sobre ele pende, em vez de ser confrontado com acusações “genéricas”. Complicado? Não. Se for conforme os seus desejos, Vara está disposto a pôr tudo em pratos limpos, mas não o tudo-tudo: só o tudo cirúrgico.»

 

Luís M. Jorge: «Uma parte da direita propõe arrastar o debate sobre o casamento entre homossexuais, se possível, até à consulta popular. E eu, ingénuo, a pensar que existiam assuntos mais importantes, problemas urgentes, que diziam respeito a todo o país.»

 

Paulo Gorjão: «Pessoalmente sou a favor do casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, mas muito reticente quanto à adopção. Se no primeiro caso estão apenas em causa os interesses de duas pessoas, no segundo já se envolve os interesses do adoptado. Esse é para mim um debate muito menos maduro do que o primeiro. Naturalmente, necessita de amadurecimento e de tempo.»

 

Eu: «Achei revoltante que esse canal de televisão – nem fixei qual é – tenha dado tempo de antena, naquela ocasião precisa, a uma pessoa que se encontrava sob um evidente choque emocional. Manda o código deontológico dos jornalistas que não sejam recolhidos depoimentos nestas circunstâncias. Infelizmente, esta norma está a tornar-se letra morta. Pelo contrário, quanto maior for hoje a oportunidade para explorar despudoramente as circunstâncias dramáticas na vida de qualquer de nós, lá está um microfone estendido, lá está uma câmara ligada, lá está um repórter mandatado por uma chefia fechada num gabinete qualquer – tudo pronto a servir as emoções alheias ao domicílio.»

3 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. “Pelo contrário, quanto maior for hoje a oportunidade para explorar despudoramente as circunstâncias dramáticas na vida de qualquer de nós, lá está um microfone estendido, lá está uma câmara ligada, lá está um repórter mandatado por uma chefia fechada num gabinete qualquer – tudo pronto a servir as emoções alheias ao domicílio.”

    E, actualmente, acrescente-se um marcelo rebelo de sousa.

    1. Cuidado António! Olhe que falar assim do Rato Mickey da Feira do Livro pode dar direito a auto de fé nas redes ditas sociais!!! Ou na fogueira da Cristina, cujo programa o senhor das selfies congratulou em directo e durante o expediente de PR!…

      Ou não venham os recipientes dos abracinhos e carinhos demonstrar-lhe (com forquilhas e picaretas) os afectos que têm pelo emplastro dos afectos!!!!

  2. os interesses do adoptado. Esse é para mim um debate

    Os interesses do adotado são uma questão de ciência, não de debate.

    Todas as investigações dizem unanimemente que é melhor uma criança ser adotada do que viver numa instituição.

    Não há debate nenhum a fazer. O que há a fazer é estudar as investigações já feitas sobre o assunto, e decidir em conformidade.

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