
Bandeira: «Preferia não ter que me decidir.»
Fernando Sousa: «O xeque Ali al Hemki, membro do Conselho dos Estudiosos da Arábia Saudita, emitiu uma fatwa, um decreto islâmico, proibindo as viagens a Marte, noticiou o jornal Ah Hayat, citado pela EFE – e o DN. Allah-o-Akbar! Quem comprou bilhetes, aconselho que os devolva.»
Helena Sacadura Cabral: «Em Portugal dialogar, ouvir quem pensa diferente, questionar as próprias decisões, não são apanágio da “partidarite bacoca” que se apossou do que entendemos ser a democracia. E isto, infelizmente, aplica-se tanto ao governo como à oposição.»
José Maria Gui Pimentel: «Enquanto nos restantes países europeus – mesmo incluindo os chamados “países mediterrânicos” – os grandes anúncios políticos são feitos normalmente da parte da manhã, ficando o resto do dia para a análise dos comentadores, as reações dos vários intervenientes e até a reflexão dos cidadãos, em Portugal o prime time político ocorre já após o dia normal de trabalho, perto ou sobre a abertura dos telejornais. Lembro-me sempre desta peculiaridade do sistema quando surgem já ao fim do dia intervenções importantes do primeiro-ministro, da ministra das Finanças, dos juízes do Tribunal Constitucional (da última vez que me lembro já passava das 20h30m), do Presidente da República ou, como foi o caso de hoje, do vice-primeiro-ministro. Como se fosse às 20h que, qual coruja, o país tivesse o seu pico de actividade.»
Teresa Ribeiro: «Uns saem, outros ficam, mas não se multiplicam para que o mal de viver não cresça. O país começa a parecer-se com uma doença infecto-contagiosa. Os demógrafos dizem que assim não há futuro.»
Eu: «Lamento, caríssimos herdeiros de Sophia, mas tenho demasiada consideração pela autora dos Contos Exemplares para lê-la numa grafia que ela não escolheu nem certamente defenderia. Como nem o próprio editor defende. Felizmente restam as edições antigas, cada vez mais disponíveis por aí. Felizmente também há ainda muitas editoras que resistem em render-se ao acordês, recusando perpetuar delitos de lesa-cultura em páginas impressas. Felizmente, neste ano de 2013, podemos ver Sophia bem reeditada. Abro a décima edição de Coral, por exemplo, lançada há poucos meses pela Assírio & Alvim (por ironia, pertencente ao grupo Porto Editora), escolho um poema ao acaso: “Nardo / Pesado e denso, / Opaco e branco, / Feito / De obscura respiração / E de nocturno embalo.” Assim mesmo. Sem a supressão de supostas consoantes mudas.»
