DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ivone Mendes da Silva: «A ilha que leio é A ilha de Sukkwan, editada pela Ahab numa tradução de José Lima e há por lá um pai, Jim, e um filho, Roy, enclausurados em si mesmos. Jim já falhou demasiado e nem sempre falhou melhor, do trabalho ao amor. O desafio de passarem um ano juntos na ilha, longe do mundo, é um projecto de beatitude rapidamente transformada em frio, solidão, medo. Incapacidade. Ódio também. Roy, nos seus treze anos, é o menos frágil. Menos passado, menos peso a puxá-lo para o fundo, para a águas negras que Vann conhece como ninguém. Eu sabia, porque li as críticas, que a dado momento uma reviravolta narrativa iria surpreender o leitor. Já lá cheguei. Grandioso. Evito aqui o fascinante porque é o raio de um adjectivo que não combina com o tom do texto.»

 

José António Abreu: «Sem ilusões de que o atraso seja de algum modo fashionable, ando a ver The Wire (vou na quinta e última série de episódios e, sim, trata-se provavavelmente da melhor série televisiva de todos os tempos). No início da terceira temporada, a polícia não consegue obter resultados das escutas porque, para além de trocarem de telemóvel com regularidade, os traficantes de droga, em especial nos níveis médios e elevados da organização, são extremamente cuidadosos acerca do que dizem ao telefone. Numa tentativa de contornar o problema, a polícia arranja forma de prender uma chefia intermédia, na esperança de ver promovido ao seu posto um familiar de um tipo importante, com tendência para falar demais. Quando o plano é apresentado, um dos polícias pergunta: “Mas porque hão-de eles promover um incompetente?” A resposta é: “Porque não? Nós fazemo-lo todos os dias.”» 

 

Eu: «Só em duas eleições com carácter nacional, em 1975 e 1976, o PCP se apresentou isoladamente nos boletins de voto com o seu símbolo da foice do martelo. De então para cá, optou por concorrer sob uma suposta sigla “unitária”, que já foi FEPU, depois APU e há cerca de 30 anos se chama CDU. No fundo, é uma coligação do PCP consigo próprio: os Verdes não têm existência política autónoma e a chamada Intervenção Democrática é tão fantasmagórica que nem sequer possui página na Internet (está há anos “em obras”). Em eleições futuras, o PCP terá de confrontar-se com este repto: ou aproxima-se de forças políticas com existência real ou nega coligar-se com elas, como agora aconteceu no Funchal, quando recusou alinhar com o PS e o BE na formação de uma frente anti-Jardim.»

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